Arquivo Abril, 2008
Ontem, fui à praia de noite.
Ouvi o respirar da lua, ensurdeci
Com o rugir das ondas, envolvi-me
Com a areia gelada e o vento soprou
Meigo no meu pescoço. Arrepiou-me e
Invejou a acalmia dos teus beijos.
Disse-lhe, quisera eu sentir-te aqui e agora.
Ameacei-o se te afastasse de mim, se soprasse
A sombra das tuas lembranças para além
De um toque de pestanas. Não se tranquilizou.
Enfureci-o e, ciumento, ralhou com os meus caracóis
Que te reclamavam ferozmente. Enrosquei-me
No casaco que teimava em substituir-te. Pintei
Na lua o teu rosto, calquei na areia o teu nome - que me sorriu -
Repeti-o até o meu coração sangrar de tanto te gritar.
Ao lado do teu escrevi o meu. Talvez assim, pelo menos ali,
Quisesse o destino ver-nos juntos. Como a sede de um rio
Em busca da foz, o mar correu na minha direcção
E levou-os de mãos dadas. Para onde…não sei.
Mas sei que nem a fúria de uma mãe em defesa da cria
Te arrancam de mim. Pelo menos, do meu coração.
Disseram-me que o paraíso não existe. Mentiram-me!
Dormi com ele uma noite inteira.
Tem o teu nome. Os traços do teu rosto e a doçura do teu olhar.
Nele depositei o desejo de te devorar até te desfazeres
Em gemidos delatores de prazer. O nosso prazer.
Aquele que encaixa na perfeição. Aquele que abre caminho
Para que as tuas mãos se percam no meu corpo e fintem as minhas curvas;
A boca pelo meu pescoço, contorcendo-me em arrepios de deleite…
Um desejo que se ergue à medida que os teus
Lábios carimbam a minha pele de beijos suaves,
Percorrem cada um dos meus recantos até sentir
O espasmo de prazer que toma conta dos nossos corpos.
Um desejo que se espelha ao olhar nos teus olhos
Quando, lentamente e contrariando toda a fúria que nos envolve,
Me penetras, apertas-me as mãos, entrelaçando-nos ainda mais (como se fosse possível)
E eu deixo-me levar pela música dos sons que juntos vamos compondo.
No paraíso, dizem, realizam-se desejos;
E porque tu és o meu paraíso, pergunto:
Concedes-me o desejo de mergulhar na tua boca,
Navegar no mel a que sabe a tua saliva,
Misturar as nossas línguas, os nossos sabores,
Gemer no teu ouvido, sentir os teus movimentos suaves -
Que ora aumentam num ritmo crescente de volúpia -
Envolvendo os nossos corpos suados, bocas secas…olhar brilhante?
Cavaco Silva no seu melhor
1 comente Publicado por Liliana Fernandes a 18 Abril 2008 em Está bonito e leva jeito.A minha ausência, levou-me a reunir alguns temas que pretendo abordar neste espaço. Todavia, rompendo a ordem cronológica que pretendia cumprir, era imperativo que hoje realçasse uma frase do Chefe de Estado: Cavaco Silva.
Há quem me diga que tenho o humor parecido ao do Presidente da República (um dia perceberei); mas, pelo menos, não me […]