Arquivo Maio, 2008

Refém

Sonho…Estás refém de mim!
Estás preso ao tom da minha pele,
Aos contornos do meu corpo,
Aos meus seios lisos e firmes,
Aos beijos doces e suaves,
Aos meus lábios desenhados,
Ao brilho do meu olhar,
À sinceridade do meu sorriso,
À sonoridade do meu riso,
À genuinidade da maneira de ser,
Às expressões de menina,
À espontaneidade dos gestos,
À rapidez do raciocínio,
Ao feitio difícil e determinado,
À inteligência e à cultura,
À firmeza de personalidade,
À teimosia exagerada,
Ao que sinto por ti e à
Felicidade que dei à tua vida.
O teu cativeiro é o meu coração;
O único lugar certo de onde não
Fugirás de mim; perto da vontade
De te ter e com a certeza de que
Aqui és só meu. Estás condenado
A “minha” prisão perpétua e cedo-te
A cela real: a minha vida. Alimento-te
Com o meu amor, acicatando-te com
Gestos que te fazem uivar de prazer.
Enfim… vou continuar a dormir. Todas as horas do dia,
Todos os dias do ano. Vou ficar a sonhar
Contigo, enroscada no único sítio
Onde te posso ter: a minha cama; no
Único estado em que és meu: o sono.

Não me importo que transcrevas para
O meu corpo incauto a experiência dos teus gestos.
Importava-me, sim, que partisses.
Que pintasses de preto a cor que deste à minha vida.
Que ofuscasses o brilho do meu sorriso.
Que te desviasses do sentido do meu olhar.
Que fugisses do meu abraço.
Que arrefecesses o calor que me provocas.
Que me impedisses de atracar na minha marina, que és tu.
Que te procurasse e não te encontrasse.
Que esperasse que o teu corpo, vergado ao meu,
O cumprimentasse, com beijos leves,
Suaves, que, à medida que se soltam,
Transformam a textura da minha pele
Em pêlos eriçados, arrepiados; e não aparecesses.
Magoava-me, sim, se deixasses de me provocar
Uma sede insaciável por te ver,
Ouvir, tocar, sentir, provar.
Uma vontade que caminha a par
Do ritmo com que me vais desnudando,
Espalhando as minhas (e tuas) roupas
Por um sítio qualquer que se torna cúmplice.
Desiludia-me se os meus seios, à medida da tua mão,
Não endurecessem, gritantes pelo toque dos teus dedos.
Morria, se passasse a desconhecer o sabor dos teus beijos.
Se deixasse de misturar a tua saliva com a minha.
Se me agoniasse com o teu cheiro.
Se desaprendesse os passos da nossa dança.
Se desafinasse nos sons expulsos pelas nossas gargantas.
Se os meus olhos não procurassem os teus
No momento em que as nossas mãos se pegam,
Tu me penetras, os abdominais se contraem,
Os músculos se apertam, os nossos sexos se encaixam,
Prontos para se desprenderem só com a visita da alvorada
Que de manso chega e denuncia os horários a cumprir…
E nós, entranhados um no outro,
Nem nos apercebemos que a noite foi curta, ingrata,
Para acolher o desfile de sentidos.

A minha ausência no blog deve-se, essencialmente, à busca desenfreada por uma casa. Não tem sido fácil e os resultados são…ridículos. Confesso que quando ouvia comentários sobre determinadas casas, pensava que se tratavam, apenas, de várias manias ou mesmo de puro exagero. Hoje, tenho que dar a mão à palmatória: não entendo como é que […]