Esqueçamos o género de jornal e as gralhas (mais do que desejáveis e/ou aceitáveis) que decoram alguns artigos. Já fiz alusão a alguns, mas há que falar bem, quando assim se justifica. O 24 horas pode ter muitos defeitos, mas penso que é ímpar em muitas outras questões, nomeadamente à coerência. Puxam a brasa à sua sardinha quando assim tem de ser; mas são os primeiros a reconhecer que erram, quando assim se verifica.

Por isso, felicito o director do jornal, Pedro Tadeu, pelo editorial da passada sexta-feira. Explica a forma como lida com imagens que envolvam crianças e assume que, de sua iniciativa, o jornal não publica o rosto dos visados, salvo raras excepções: «a excepção é aberta em casos de crianças desaparecidas ou em notícias sobre artistas menores», escreve (tentei colocar  link, mas a página não aparece no sítio do jornal). Acrescenta, «às vezes, não é assim: por erro, incompetência, ou autorização minha, por entender que a excepção à regra se justifica…». Este editorial veio a propósito de a ERC ter-se manifestado quanto à divulgação (excessiva) do vídeo da escola Carolina Michaëlis. A Entidade condenou «de modo veemente” o Correio da Manhã, condenou o “Expresso online” e o Sol, reprovou o Portugal Diário e o 24 horas e lamentou a actuação da RTP».

Ao contrário de a maioria dos directores, Pedro Tadeu assume o erro, sem justificações absurdas, admitindo: «a ERC tem razão, cometemos um erro, manifestamente involuntário (daí suponho, a simples “reprovação”), mas um erro. Um caso que me envergonha».

O 24 horas serve de exemplo e isto sim, é saber dirigir, sendo o primeiro a assumir o erro. Parabéns!


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