Hoje, uma colega lia em voz alta um excerto de uma peça do jornal 24 horas sobre a novela que se tornou a própria vida de Alexandra Lencastre. O assunto, como se percebe, é de elevada importância para a resolução da crise em que o país está mergulhado, mas este é o povo que temos! Em determinada altura, ouvi: «(…) a actriz falou ontem pela primeira vez do facto de ter descobrido…». Sou como S. Tomé; o mesmo é dizer…ver para crer. Foi o que fiz. Comprovei, lendo o jornal. Continuando a folheá-lo, deparei-me com mais um “tesourinho”; «devido à uma peça de teatro, a actriz teve de mudar a cor do cabelo». Mas como é possível? Não há revisores, editores ou até jornalistas que saibam escrever neste jornal? Entendo que a acumulação de trabalho, o aperto da hora de fecho sejam opositores da perfeição. Mas admitamos que “descobrido” não é gralha. É erro; é mau português; é escrever como se fala…mal! Gralha seria “descobreto”, por exemplo.

Já o disse noutras ocasiões e repito: os jornalistas têm uma função social a cumprir. Não passa somente por informar, divulgar, denunciar, apontar o dedo, cruzar informações, tratar factos…também forma através do seu trabalho! Não se pode admitir que um jornal publique textos com erros, que comprometem ( e muito) a credibilidade do jornal.


1 Response to “A diferença entre “erro” e “gralha””

  1. 1 Uma Senhora De Idade Que Passou Por Aqui

    Há muitos anos (quando eu era jovem) os jornais tinham um revisor…
    Em tempos perguntei a um conhecido meu ligado a um jornal desportivo se ainda existia essa função - que não, que tudo é feito com extrema rapidez e “não há tempo para essas coisas…”
    Hoje em dia encontra-se, volta e meia, erros de palmatória - como um grosseiro erro ortográfico na capa da edição portuguesa da National Geographic há cerca de um ano. Ninguém parece importar-se com isso. É pena não fazer parte das atribuições da ASAE (haveria lá gente habilitada para isso? - essa é outra questão!!!).
    A Alta Autoridade para a Comunicação Social parece ter outras preocupações de maior envergadura - só a vejo actuar contra os jornalistas, mas nunca contra o facto de se servir “produto adulterado” na imprensa escrita e não só.
    Apenas uma minoria em Portugal se preocupa com esse tipo de questões (será que os restantes se apercebem, sequer, delas?). O que interessa é “parecer”, vender, fazer consumir… enfim, todos sabemos que a maioria dos portugueses consome “qualquer porcaria”, paga e não bufa, diz mal mas não reclama, e acha que o erro é “uma coisa normal” - em todos os sentidos. Vendo o actual estado das coisas a tendência será - como nos outros aspectos da vida dos portugueses - para que as coisas piorem, porque ninguém com poder de decisão se rala - responsáveis pelas publicações, entidades fiscalizadoras, consumidores…

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