Sem pejo assumo que ainda não entendi a atitude de Alípio Ribeiro e já o fiz saber. Vale o que vale; adianta o que adianta. Nada! Mas como não tenho de pedir autorização ao Sindicato para opinar, lá vou aproveitando. Considero grave as declarações que proferiu no programa Diga lá, Excelência, desprotegendo os homens que dirige. No entanto, fez saber por outra voz que se referia a um outro tipo de precipitação. A ser verdade, pergunto: porquê que não nos esclarece? Por que alimenta, então, que continuemos, segundo ele, equivocados? Pelo que fez saber pelo seu adjunto, Alípio Ribeiro pensa que se não se tivesse avançado tão cedo para o estatuto de arguidos, os McCann não teriam regressado ao seu país. Embora seja uma tese reboscada, difícil de perceber numa primeira análise, e admitindo que afinal nunca deixou de apoiar a sua equipa, por que não veio a público desvendar o equívoco, sendo que tais declarações, precipitaram um sem número de debates, críticas e opiniões? Como escreveu Rodrigo Guedes de Carvalho na sua rubrica numa revista semanal, «dizer-nos de viva voz, que entendemos mal o que disse, quando o que queria dizer era outra coisa, precisamente o contrário do que pensamos que disse? Confundido? Pois, eu também». Precipitámo-nos ao interpretar as declarações do Director da Polícia Judiciária?

Mas admitindo que entendemos efectivamente o que não diz ter dito, pergunto: se constituir o casal McCann tratou-se de uma precipitação, o mesmo é dizer que não é crime abandonar os filhos, deixando-os sozinhos, por sua conta e risco, a dormir para ir jantar fora com os amigos?


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