Assustador!

O número é dramático, preocupante e grita por medidas urgentes: 1500 são as mulheres que morrem na gravidez e no parto todos os dias pelos quatro cantos do mundo. A grande maioria reside em zonas na África subsaariana (região do continente africano a sul do Deserto do Saara, ou seja, corresponde aos países que não constituem a África do Norte) e na Ásia. Uma população fortemente atingida por números alarmantes no que diz respeito à malária, sida, tuberculose e desnutrição. Para que tenhamos uma melhor noção da realidade, centremo-nos nestes dados: anualmente são infectadas por malária 500 milhões de pessoas, sendo a esmagadora maioria do país africano. As estimativas apontam para que 90 por cento dos casos mundiais, bem como 90 por cento de toda a mortalidade provocada por esta doença, ocorra na África subsaariana. A malária espande-se, ainda, para países como as Américas Central e do Sul e asiáticos, vitimando - mortalmente - cerca de dois milhões de pessoas. Estas são maioritariamentre crianças com idades inferiores aos cinco anos, na África, e tira a vida a uma criança a cada 30 segundos no mundo.

De acordo com o último relatório publicado pelo Programa das Nações Unidas contra a sida, em Maio do ano passado, África é o país que mais sofre com este malefício, com maior incidência na zona subsaariana. O mesmo relatório dá conta que se tem vindo a assistir a uma “desaceleração” de incidência do vírus, mas esta zona ainda inspira cuidados. Senão vejamos: com pouco mais de 10 por cento da população mundial, a África subsaariana abriga cerca de 24,5 milhões de infectados, o que equivale a dois terços dos portadores de HIV de todo o mundo. Em suma, aproximadamente três quartos das 25 milhões de pessoas que morreram com esta doença desde o seu aparecimento - década de 80 - eram africanas.

O mesmo relatório denuncia que esta zona africana concentra dois milhões dos 2,8 milhões de mortes em decorrência de HIV ou de doenças relacionadas com o vírus. As mulheres são particularmente vulneráveis a esta maleita e, no continente africano, a média de infecções de HIV é de 36 mulheres para cada dez homens. E porque nem tudo é mau…Quénia e Zimbabué podem sorrir, pois houve uma queda de casos de HIV nestes dois países. Menos sorte tem África do Sul que alberga 5,5 milhões de pessoas (em 2005) infectadas, não tendo sido conhecida qualquer diminuição.

Como é de esperar, a epidemia dificulta o progresso do país, tanto a nível demográfico como económico. Em Botsuana, Namíbia e Suazilândia, são cerca de 20 por cento os adultos infectados com HIV, estimando que retire a vida a um terço dos jovens. O alarme ganha ainda mais voz quando sabemos que, segundo a ONU, África é o “epicentro” mundial desta epidemia e apenas pouco mais de 800 mil pessoas beneficiam de tratamento anti-retrovial na região mencionada. Logo, cerca de cinco milhões de portadores necessitam de atendimento. Até quando?

É imperativo que unamos forças e possamos intervir numa situação que está a perder o controlo. As mulheres são o garante do desenvolvimento de uma sociedade. Se não forem protegidas, cuidadas e abrangidas por planos de saúde…

É contra-gosto que cito Manuel Sobrinho Simões - Director do Instituto de Patologia Imunitária do Porto - que na revista Visão fez saber que «a esperança média de dias de vida felizes (…) varia entre os 70 anos no Norte da Europa e os 15 anos na Tanzânia. A pobreza não perdoa». 1500 bem parece ser o ano em que estas pessoas vivem, a julgar pela inexistência de condições básicas, garante de um desenvolvimento saudável e que a todos deve assistir.


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