Campanha, isto?
Publicado por Liliana Fernandes a 1 Agosto 2008 em Artigos recentes.Não é a primeira vez que o republicano John McCain lança anúncios publicitários, denegrindo a imagem do seu adversário Barack Obama. Desta vez, compara o democrata a Britney Spears e Paris Hilton e tal pode ser visto neste endereço http://br.youtube.com/watch?v=MN2z95IhC5E
Convenhamos que isto é tudo menos campanha política. Chama-se deslealdade, contra-campanha… Porque não aproveita esses anúncios para divulgar o seu programa eleitoral? Porque não dá a conhecer as soluções para o país ao qual se está a candidatar?
O problema dele chama-se o que em bom português se designa por “dor de cotovelo”. Sabe que Obama é melhor preparado do que ele, prende a atenção de todos quando fala e tem uma estratégia eleitoral bem delineada. Não precisamos de fazer uma grande viagem para perceber isto. Basta reportarmo-nos à recém-visita à Europa e Médio Oriente. Iniciou-a pelo Afeganistão, e bem. Porque, nesta guerra, a retirada é mais melindrosa, complexa, visto ter tido o aval das Nações Unidas e ter contado com a intervenção da NATO. Seguiu-se o Iraque, onde frisou, mais uma vez, a retirada das tropas americanas em 16 meses, prometendo devolver a paz ao país.
Em Berlim, fez história. Fê-la quando se tornou no candidato à presidência americana, mais novo, a discursar fora dos EUA; e consagrou-a, reunindo 200 mil apoiantes na capital alemã, que assistiram a um discurso nitidamente dirigido para os europeus. Recorde-se que pediu aos aliados europeus para “ajuda a América” num “mundo multilateral, sujeito a enormes desafios”, tendo como intenção “retomar a missão pioneira da América, com humildade, reforçando o papel das Nações Unidas, como instância necesséria à paz, e as relações transatlânticas, sem impor nada, mas negociando os consensos alargados necessários”.
Em Paris, advertiu o Irão não escondendo que luta por um mundo “desprovido de armas nucleares”. (Permitam-me um àparte: a pressão que os EUA estão a fazer sobre o Irão, relativamente ao desarmamento nuclear, dá vontade de rir, vindo de um país que protagonizou a explosão de uma bomba atómica). No seu discurso, não esqueceu, ainda, “de insistir nos problemas ecológicos, nas alterações climáticas e na necessidade de ir além dos Acordos de Quioto, que Washington não subscreveu até agora”. Tal poderá ter um sentido político, se tivermos em conta a sua aproximação ao partidário Al Gore, em termos da escolha do seu vice-presidente.
A visita de Obama ao Médio Oriente e sobretudo à Europa foi redundante face ao já conhecido: o elevado número de apoiantes não só na América como na Europa, onde já se ficou a saber que caso os europeus pudessem votar, Barack já estava na Casa Branca.
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