O passado dia 25 de Abril - aquando das comemorações de mais de três décadas de democracia - ficou marcado pelo aguardado discurso do Presidente da República, Cavaco Silva.

O discurso foi dedicado aos jovens, pedindo-lhes para não se resignarem. Por outro lado, apelou aos seus comparsas que se unem em prol de um único objectivo: qualidade da democracia. O próprio Presidente fez questão de frisar que, ele mesmo, não tenciona resignar-se enm conformar-se na luta pela qualidade da nossa democracia.

Utilizou a táctica do sentimentalismo, sublinhando que devemos deixar de herança às gerações futuras, «um regime em que sejamos governados por uma classe política qualificada, em que a vida política se paute por critérios de rigor ético, exigência e competência, em que a corrupção seja combatida por um sistema judicial eficaz e prestigiado». O Presidente deixou antever a sua preocupação face ao desinteresse dos jovens pela política.

Pergunto: que garantias têm estes mesmos jovens para agir contrariamente? Como não abdicar? As perspectivas de emprego são escassas ou mesmo nulas. Permitam-me uma correcção: emprego não; trabalho! O emprego para a vida terminou há muito. Que edoneidade transmite a classe política para que os jovens se entusiasmem? São os primeiros a defraudar os eleitores…

As ideologias que outrora ouviamos em uníssono, esvairam-se. As pessoas estão desacreditadas e não vislumbram melhorias. Para elas, a política não passa de uma forma de “encher” os bolsos a quem por lá anda. Os comentários das pessoas são sempre os mesmos: “aumentam os impostos, reduzem ou congelam ordenados, mas aos deles não fazem nada…”. Poderia estar aqui a enumerar uma série deles. Nós sabemos, porque também o dizemos.

O discurso do Presidente da República distinguiu-se, ainda, pela forma como esta data é assinalada em Portugal. Cavaco Silva questionou se este marco histórico deve ser comemorado como até então ou se é tempo de inovar. A propósito, ainda levantou questões sobre a importância do 25 de Abril para a camada mais jovem. Todavia, não apresentou alternativas a esta comemoração. O que pretenderá? Relativamente à segunda parte da questão… O 25 de Abril diz, de certo, muito aos mais novos. O que eles têm foi conquistado por todos os que não deixaram de acreditar nos seus ideais e lutaram. Ergueram-se numa só voz e gritaram “liberdade”. Liberdade essa, que todos usufruimos, desperdiçando-a. Não foi bem aproveitada e muito do que se vive hoje é fruto de uma elevada inércia. Inércia perante o que podia ter sido feito e não foi.

Para mim, esta data representa muito. Cresci a ouvir “estórias”, orgulho-me dos meus que estiveram na linha da frente e, se fosse hoje, eu seria a primeira a honrar um dos princípios que foi transmetido: acreditar. Acreditar que unidos, fazemos a diferença, a força…ainda que tudo seja resultado de meros ideais. Os meus ideais.

Gosto que o 25 de Abril seja recordado, mas contra-gosto não resultou nos ideias que o encabeçaram.


0 Responses to “Cantas, mas não me alegras”

  1. No Comments

Leave a Reply