Dia para tudo e mais alguma coisa
Publicado por Liliana Fernandes a 28 Junho 2007 em Artigos recentes.Que existia o Dia Internacional da Mulher, eu sabia. Agora, que no dia 1 de Julho se celebra o Dia da Mulher Portuguesa…confesso que desconhecia. Será que também existe o Dia da Mulher Sérvia ou Angolana? Imaginando-as pouco exigentes, chega-lhes o dia 8 de Março, com certeza. As portuguesas, se calhar, são mais rigorosas e não querem misturas, estando por isso duplamente em destaque. Se há cá dentro, porque procurar lá fora? Agilizem e consumam o “produto” nacional, mesmo com cruzamento de etnias.
Adiante! A verdade é que a mulher portuguesa tem conquistado o seu espaço e vontades pelo menos nos últimos 30 anos. Ouvem-se “estórias”, testemunhos… Mas para quem desconhece, terá oportunidade de saber tudo aquilo que agora é banal e antes era impensável. Como? Através do livro Proibido!, cuja autoria cabe ao jornalista António Costa Santos. Neste livro, é possível recordar como é que as mulheres viviam até ao 25 de Abril, que ditou termo ao regime fascista.
Antes, nem por sombras as mulheres usavam biquini, sendo obrigadas a optar pelo fato de banho inteiro e cobrir a barriga, impedindo que fosse demasiado cavado ou decotado; não podiam entrar numa Igreja com a cabeça descoberta. Mas não é só: em público, os gestos de carinho que pouca reprovação mereciam eram um beijo na testa ou uma festa nos cabelos. Quem “pisasse o risco” era punido com coima. E as profissões também impunham limites: até ao 25 de Abril, as enfermeiras e hospedeiras estavam proibidas de casar, pois aqueles trabalhos faziam com que circulassem na rua a horas a que as mulheres casadas não podiam. Por isso, as únicas mulheres que podiam caminhar de noite pelas ruas eram as prostitutas e com a devida autorização das autoridades. A roupa também obrigava a regras: as meninas não podiam entrar nos liceus com os joelhos ao léu e muito menos de calças. O uso da saia era obrigatório, mas plissada e com pouca roda, não fosse o vento ser atrevido e atentar contra a moral e bons costumes.
Para viajar…as coisas também não eram fáceis. Senão vejamos: para sair do país a mulher estava sujeita à autorização do esposo, quer tivesse passaporte próprio ou o seu nome fizesse parte do passaporte “familiar”, cujo titular era sempre o homem (tido como chefe de família). Ainda por cima, esta posição de subalterna tinha a conivência da constituição aprovada pela ditadura.
“Um é pouco, dois é bom e três é demais”… Antigamente, esta máxima devia ser considerada um lema. Antes, as reuniões públicas eram proibidas ou tinham de ser autorizadas, não fosse entrar a Polícia e acabá-las antes do previsto. As únicas manifestações de multidões permitidas eram as religiosas ou desportivas. Os portugueses e o desporto!…
Usar isqueiro fora de casa, sem a devida licença, também não era permitido. Para tal, necessitavam de um livrete selado, idêntico às licenças de caça ou porte de arma, que custava, em 1970, 60 escudos. Adoptava esta medida. Podia ser que contribuísse para a diminuição do número de fumadores.
Cúmulo dos cúmulos…até o divórcio era uma verdadeira enxaqueca. Qual dor de cabeça! Os casados pela Igreja podiam, livremente, separar as coisinhas, começar de novo, mas continuavam sempre ligados pelo casamento, aos olhos do Estado e da lei. Não podiam voltar a casar-se enquanto não quebrassem o vínculo contraído no altar e no registo civil. Se a mulher casada pela Igreja se separasse, reconstituísse família e engravidasse, era obrigada, na hora do registo da criança, a dar ao rebento o apelido do anterior marido, mesmo não sendo o pai biológico. Será que a ideia agradava aos pais? Ainda bem que a lei mudou e hoje divorciam-se como quem troca de camisa. Pena muita gente querer gastar a mesma camisa durante tanto tempo e deixar a felicidade fugir entre os dedos, refugiando-se em motivos indefinidos. Só se vive uma vez. Agilizem! A menos que façam pactos de morte com os pais das respectivas… ou determinadas culturas não entendem que o divórcio existe e, como tal, deve ser usado quando assim é!
Não vivi naquela época, mas rebelde q.b, acho que não ganharia para coimas. Em relação à entrada na Igreja, não havia motivos para preocupação. Não frequento. Todavia, tenho tanto de rebelde como de cumpridora. Conheço quem, na altura, pagou multa por estar como veio ao mundo na praia e por estar a cantar, de madrugada, na rua.
É com gosto que sou Mulher!
Daqui fala o autor do “Proibido!”. Só para dizer que, apesar de ter sido adolescente nesse tempo caricato, mas sem graça, quando fiz a pesquisa para o livro, tive muitas surpresas. O cidadão em geral já era reprimido e infantilizado pelo Estado de uma forma insuportável, mas com a mulher então , o regime abusava mesmo. Cada vez que ouço um taxista a dizer “isto está cada vez pior”, só me apetece oferecer-lhe o “Proibido!” Vivemos hoje noutro mundo, podem crer. Viva a liberdade e obrigado pela referência ao livro. Um abraço.
Pois, de facto foram periodos negros da nossa história não só Nacional como mundial. Em algumas culturas Africanas ainda se mantem o hábito de até negarem o prazer ao género feminino circuncisando-as muito novas e proibindo-as ao seu livre arbítrio quer como Mulheres obviamente, quer como pessoas!!! Até ao inicio do século XX na India não eram poucos os casos de quando morria o marido a mulher sempre muito mais jovem era juntamente com o cadáver do falecido imolada pelo fogo da pira funebre!!! ainda permane-
ce tão bem acesa na nossa memória de há uns poucos anos a Amnistia Internacional trazer ao público o caso de uma mulher que por ter sido infiel estava sentencida a se apedreja
da até à morte!!! isso não pode ser esquecido, Nunca!!! Mas também têm sido Elas (Mulheres) o grande «Motor» da História Humana. Aqui ficam os meus Parabéns a Elas Todas!!!
Desconfio MUITO dos melados adoradores do sexo «fraco». Ser HOMEM é respeitar as Mulheres (e mais umas coisas), não é sobreviver pela subserviência hipócrita da adoração das coitadinhas.