E se fosse por cá?

tam3054simulacao.gifHá muito que se sugere a retirada do aeroporto de Lisboa do meio da cidade. Por motivos que ainda não entendi, nem tão-pouco foram bem justificados, tal tem sido constantemente recusado.

Todavia, com a tragédia que se abateu em S. Paulo pode ser que os que recusam mudar o aeroporto de sítio se apercebam do perigo que se corre. E se o palco daquele acidente fosse Lisboa? E se o avião, ao aterrar, extrapolasse os limites e fosse parar ao meio da segunda circular? Por isso, defendo que se deve tirar o aeroporto do coração da cidade, embora não entenda a relutância da classe política.

O acidente que ocorreu do outro lado do oceano reacendeu o perigo que representa (para todos nós) haver um aeroporto no meio da cidade.  Um dos motivos por que deve ser retirado é a possibilidade de ocorrer o mesmo género de acidentes. Relativamente à segurança, Lisboa está debaixo de fogo, ou não tivesse tantos aviões a sobrevoar a capital portuguesa. O aeroporto brasileiro também está situado numa zona urbana.

Por cá, consoante o sentido, podiam acontecer duas coisas: norte-sul, parte do bairro Camarate não restava para contar história; sul-norte a segunda circular era surpreendida pela queda de um avião. Não se queira medir o grau trágico, porque é redundante.

Todavia, num sítio na Internet oficial do Governo, encontra-se à disposição dos cibernautas um documento designado Perguntas e Respostas sobre o Novo Aeroporto de Lisboa, onde se podem colocar várias questões relativas ao perigo que um aeroporto pode representar no centro da cidade. Numa das respostas, lê-se «as rigorosas normas de segurança (…) tornam pouco provável a ocorrência de acidentes, como comprova o facto de não se etr verificado qualquer acidente grave noa ctual aeroporto (da Portela), durante os seus 63 anos de existência». Acidente é algo de que não se espera; acontece; não se controla e não se pode evitar! Ainda bem que não há registo de acidentes de maior gravidade, mas isso não é por si só garante do quer que seja. Como exemplo, posso ser uma excelente profissional, mas tal não invalida que cometa um erro crasso.  De todo o modo, na mesma resposta, e depois da pseudo-tranquilidade, o perigo é equacionado. Senão leia-se: «apesar de diminuto, o risco existe, dado que 60 por cento dos acidentes ocorrem durante as aterragens e descolagens, e a área urbanizada de Lisboa e Loures é sobrevoada durante a aproximação e a descolagem. Este risco tenderá a aumentar com o crescimento previsto do número de movimentos de aviões».

Como hipótese do acidente, no Brasil, avança-se a possibilidade de o piloto não ter conseguido controlar a descida do aparelho, que deslizou com velocidade excessiva, devido à água existente na pista de aterragem (aquaplaning). A imagem, retirada do sítio youtube, faz parte de uma simulação do acidente no aeroporto de Congonhas (S. Paulo - Brasil).


1 Response to “E se fosse por cá?”

  1. 1 Carmen Correia

    Um novo aeroporto para quê e porquê? Quando se construiu o aeroporto da Portela já se sabia que mais tarde (dez anos mais tarde) o aeroporto tornar-se-ia pequeno demais para os seus utilizadores. Não entendo, por isso, por que razão não se construiu um aeroporto maior que o actual, logo desde início.

    A verdade é que o país, para dar resposta às pessoas, precisa de um novo aeroporto. Ora, eu tenho dúvidas é se teremos efectivamente de construir um novo aeroporto de raiz, mais afastado da capital.

    Ao lado do aeroporto da Portela existe uma base militar que poderia (isto no campo das hipóteses) ser deslocada para Santarém, para assim procedermos ao alargamento do actual aeroporto e aos mecanismos de organização e segurança de um aeroporto com dimensões maiores.

    Por um lado, temos o possível alargamento do aeroporto (que daqui a vinte anos, no máximo, será insuficiente) para dar mais comodidade aos passageiros e mais lucro aos hotéis da cidade.

    Por outro, temos o meio ambiente a defender (porque é de, e para, todos nós) e a nossa segurança e tranquilidade para possíveis acidentes. Afinal, todos nós sabemos que se o aeroporto for longe irão crescer novos hotéis à volta dele.

    Podemos ver o caso da cidade de Milão: a estação de comboios fica a 45 minutos de distância do aeroporto. Nas redondezas do aeroporto de Milão não existe nada. O que a cidade não dispensa é uma grande rede de transportes e, subentendido está, a segurança, dos que por ali passam.

    Nós aprendemos com os outros e imitamo-los. Espero que os nossos políticos tenham aprendido alguma coisa …

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