Escolas servem de palco à violência
Publicado por Liliana Fernandes a 25 Março 2008 em Artigos recentes.Não precisam de ensaios, nem de guiões. Basta soltarem a falta de civismo, educação, princípios, para que a escola que os devia formar, sirva, afinal, de palco a actos vândalos por parte de alunos. Mais parece uma selvajaria.
Imagino que estes episódios não sejam tão recentes quanto as notícias fazem crer. A verdade é que são, agora, muito mais publicitados. Os jovens sentem-se uns “heróis”, actuando em psicologia de grupo, felizes por pressentirem que alguém muito mais velho do que eles, os temem. Vêem-se protagonistas de cenas que eles oram vêem na televisão; ora imaginam. Riem-se de nada, mas acham que têm tudo. Têm-se como o máximo. Pensam que são incólumes e que o rótulo de “mau” é imune a qualquer sanção.
O Governo apresenta como solução um «reforço da autoridade dos professores». De que forma pretende implementar esta medida? No meu ponto de vista, tal apenas vai abrir portas a um autoritarismo desmesurado. Os mentores desta violência são os pais. Demitem-se, a cada dia, do papel que assumiram. São eles que não impõem regras. São eles que são permissivos. São eles que querem ser os melhores amigos dos filhos e não seus pais. Estamos a assistir a uma verdadeira inversão de valores, papéis e autoridade. Os filhos mandam nos pais, sendo os verdadeiros “pequenos ditadores”. Chantageia-os da forma mais vil: ou porque se metem na droga; ou matam-se. Quem o quiser fazer, fá-lo! Não avisa. E agora, está na moda a expressão “se fizer isto, se bater ou aplicar um castigo ele fica traumatizado!”. Em todo o tempo se levou uma palmada na hora certa; um correctivo e não tenho ideia de alguém ficar traumatizado por isso. Uma coisa é massacre, bater sem razão; outra é uma palmada na hora certa! Esta ajuda a que as pessoas cresçam com o sentido de responsabilidade; o que é certo e errado, ainda que as decisões futuras de nós dependam. Mas os ensinamentos estão lá. É assim que se formam os Homens de amanhã. Aos meus pais, agradeço por terem feito de mim a Mulher que sou hoje. Sofri, como é óbvio, o processo de socialização, mas os valores-base que fazem de mim a pessoa que sou hoje, a eles devo.
Retomando o assunto… A título de exemplo, de que os pais se demitem da função de educadores, relato um episódio que aconteceu com uma professora: numa reunião, a professora disse a uma mãe que o filho tinha um comportamento agressivo, que não se sabia relacionar com os colegas e era importante os pais terem uma conversa com o filho. Como resposta, a docente obteve: “o que é que a senhora está cá a fazer? Não é para educá-lo?”. Ora, quando assim é…
Para mim, esta violência poderá conhecer alguma acalmia a partir do momento em que os pais passem a ser responsabilizados pelos actos dos filhos. Quando eles próprios se tornarem problemas para os pais, pode ser que estes tomem consciência dos delinquentes que andam (ou pensam que a andam) a criar. Sobretudo, sendo menores, quem melhor do que os pais para serem responsabilizados pelas atitudes dos filhos?
Quando os pais não querem saber que comportamento os seus filhos têm na escola…
Quando os filhos continuam a levar os telemóveis para as aulas,mesmo depois de todo o burburinho à volta da situação em todos os canais …
Quando os meninos vêm com ameaças:”Vê lá a nota que me dás porque a partir de agora também ela conta para a tua avaliação!”…
Pobre Portugal,que será das tuas gerações futuras?
Que será do nosso futuro com estas gerações futuras?
Saudações desconsoladas