Não precisam de ensaios, nem de guiões. Basta soltarem a falta de civismo, educação, princípios, para que a escola que os devia formar, sirva, afinal, de palco a actos vândalos por parte de alunos. Mais parece uma selvajaria.
Imagino que estes episódios não sejam tão recentes quanto as notícias fazem crer. A verdade é que são, agora, muito mais publicitados. Os jovens sentem-se uns “heróis”, actuando em psicologia de grupo, felizes por pressentirem que alguém muito mais velho do que eles, os temem. Vêem-se protagonistas de cenas que eles oram vêem na televisão; ora imaginam. Riem-se de nada, mas acham que têm tudo. Têm-se como o máximo. Pensam que são incólumes e que o rótulo de “mau” é imune a qualquer sanção.
O Governo apresenta como solução um «reforço da autoridade dos professores». De que forma pretende implementar esta medida? No meu ponto de vista, tal apenas vai abrir portas a um autoritarismo desmesurado. Os mentores desta violência são os pais. Demitem-se, a cada dia, do papel que assumiram. São eles que não impõem regras. São eles que são permissivos. São eles que querem ser os melhores amigos dos filhos e não seus pais. Estamos a assistir a uma verdadeira inversão de valores, papéis e autoridade. Os filhos mandam nos pais, sendo os verdadeiros “pequenos ditadores”. Chantageia-os da forma mais vil: ou porque se metem na droga; ou matam-se. Quem o quiser fazer, fá-lo! Não avisa. E agora, está na moda a expressão “se fizer isto, se bater ou aplicar um castigo ele fica traumatizado!”. Em todo o tempo se levou uma palmada na hora certa; um correctivo e não tenho ideia de alguém ficar traumatizado por isso. Uma coisa é massacre, bater sem razão; outra é uma palmada na hora certa! Esta ajuda a que as pessoas cresçam com o sentido de responsabilidade; o que é certo e errado, ainda que as decisões futuras de nós dependam. Mas os ensinamentos estão lá. É assim que se formam os Homens de amanhã. Aos meus pais, agradeço por terem feito de mim a Mulher que sou hoje. Sofri, como é óbvio, o processo de socialização, mas os valores-base que fazem de mim a pessoa que sou hoje, a eles devo. 
Retomando o assunto… A título de exemplo, de que os pais se demitem da função de educadores, relato um episódio que aconteceu com uma professora: numa reunião, a professora disse a uma mãe que o filho tinha um comportamento agressivo, que não se sabia relacionar com os colegas e era importante os pais terem uma conversa com o filho. Como resposta, a docente obteve: “o que é que a senhora está cá a fazer? Não é para educá-lo?”. Ora, quando assim é…
Para mim, esta violência poderá conhecer alguma acalmia a partir do momento em que os pais passem a ser responsabilizados pelos actos dos filhos. Quando eles próprios se tornarem problemas para os pais, pode ser que estes tomem consciência dos delinquentes que andam (ou pensam que a andam) a criar. Sobretudo, sendo menores, quem melhor do que os pais para serem responsabilizados pelas atitudes dos filhos?


1 Response to “Escolas servem de palco à violência”

  1. 1 Bébé

    Quando os pais não querem saber que comportamento os seus filhos têm na escola…
    Quando os filhos continuam a levar os telemóveis para as aulas,mesmo depois de todo o burburinho à volta da situação em todos os canais …
    Quando os meninos vêm com ameaças:”Vê lá a nota que me dás porque a partir de agora também ela conta para a tua avaliação!”…
    Pobre Portugal,que será das tuas gerações futuras?
    Que será do nosso futuro com estas gerações futuras?

    Saudações desconsoladas

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