Eu sei por que gosto dele
Publicado por Liliana Fernandes a 20 Abril 2007 em Artigos recentes.
Falar, ou antes, escrever sobre alguém por quem nutrimos uma enorme admiração não é tarefa fácil. Desde cedo, apesar das largas gerações que nos separam. Assim, constrói-se o intercâmbio de experiências. O que é fácil também não dá o sabor de conquista. Por isso, é estimulante e um autêntico desafio. Refiro-me a Helena Sacadura Cabral. Uma mulher exímia. Mas não é dela que vos vou falar. Ao contrário, do 10º livro da sua autoria, editado por Guerra e Paz. Simplesmente Porque é que as mulheres gostam dos homens. Desengane-se se pensa ficar a saber (in) confidências da também Economista! Ao invés, dá a conhecer pequenos nadas que, hoje, representam tudo e fizeram dela a pessoa que é: somente, admirável.
O convite surgiu em Novembro último e a autora estava longe de imaginar o rebuliço que o livro iria causar. Assumo a inconfidência que me fez quando desabafou que tal nunca lhe acontecera antes. Pelo menos, com este impacto. Com a boa-disposição que a distingue e que, entre outras características, é o seu “cartão de visita” não hesitou em soltar uma gargalhada enquanto dizia «se não é pela autora, que já escreveu outros livros, só pode ser pelo título». Partilhei-a.
Contagiante. Igualmente contagiante é o livro. O conteúdo, para alcançarmos o extremo do rigor. De leitura fácil e acessível. Linguagem perceptível. Adequado a qualquer condição e idade. Óptima companhia. A chamada leitura “leve”, sem ser brejeira. Por isso, Helena disse sim a este desafio, sabendo que a sua experiência permitiria abordá-lo de forma tão clara.
Dispa-se de ideias pré-concebidas se pensa que Helena Sacadura Cabral escreve para ela. Entenda-se. Escreve para mim, para si e para todos os que queiram alcançar pistas Porque é que as mulheres gostam dos homens. Se é feminista em achar que o livro não pode ser apreciado pelo outro (sexo), desiluda-se! Por que não? Pode e deve.
Li e gostei. Sou uma leitora “compulsiva”. Não tenho falsa modéstia, neste campo. Para mim, é um momento prazeiroso. Por isso, aconselho a que este livro faça parte da sua próxima rota de leitura. No café, no jardim, na varanda ou à noite, antes de adormecer. Se conseguir parar, claro está. Aguço-lhe, apenas, o apetite. Algumas das questões a que se propõe encontrar respostas: «Mas o instante mágico do encontro do outro, o tal clique que desordena o nosso relógio e desregula o nosso coração, esse é um mistério. Tão grande ou tão pequeno quanto o mistério que envolve os amores duradouros e os diferencia dos que o não são. Mas, então, o que é que explica que sejamos infelizes num caso e tão felizes noutro? É porque o objecto da nossa atenção é diferente, ou porque nós, depois de alguns insucessos, também mudamos a nossa abordagem sentimental? Descobrir ou desenvolver os percursos que nos conduzem ao outro é uma arte. Vivenciá-los é uma sorte!»
Quanto à própria autora, arrisca-se a afirmar porque é que gostamos dos homens: «deles. Sou mesmo tentada a dizer, dos seus defeitos e das suas qualidades. E para algumas, nas quais me incluo, da “diferença que fazem de nós”, essa mais-valia, que do meu ponto de vista é indispensável ao sucesso de um relacionamento».
Com a minha parca experiência, nem por isso deve ser desvalorizada, sei por que gostamos deles. Antes e depois de os conhecermos. A Helena sabe o que sei e a que me refiro. Falámos disso.
Em jeito de conclusão, não resisto em invocar uma frase que oiço ao longo da minha vida. Por uma grande Mulher que é apaixonada por ele(s) e sabe porquê. Nunca me atrevi a perguntar-lhe porque é que as mulheres gostam dos homens. Na verdade, jamais me lembrei ou sequer preocupei. Para mim, ela é um ícone. Com o seu jeito gracioso, ela sempre diz «mal com eles, pior sem eles».
A anos luz de saber o que pensarei daqui a uns anos; que opinião terei sobre o assunto e até se a minha experiência e discernimento serão suficientes para fazer a destrinça entre os gostos e contra-gostos da (minha) vida, a realidade é que eles nos completam. Fazem-nos crescer. Com os (dis)sabores também se aprende e formamo-nos, enquanto pessoas, seres humanos e mulheres.
A par, eles inspiram-me. Um em especial para quem juntei algumas letras e dediquei estas palavras:
Olho longe, olhando perto.
Pensando em ti, sorrio;
Sorrio porque assim o sinto;
Sinto porque te amo;
Amo porque assim é;
É porque assim o quero;
Quero-o porque és tu.
Tu és tudo o que sinto, amo e quero!
Eles são os nossos gostos e contra-gostos!
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