A vitória de Alberto João Jardim não me surpreendeu. Com a conquista de ontem, o senhor da Madeira alcançou a nona vitória consecutiva, em eleições legislativas regionais. Em três décadas de carreira política, os madeirenses mostraram que Alberto João Jardim merece a confiança que lhe é depositada e, por isso, saiu vitorioso 40 vezes, entre legislativas, municipais e liderança do PSD-M.

O que realmente recuso a admitir é o facilitismo com que Alberto João Jardim se movimenta. Fundador e líder do PSD-M desde 1974, a verdade é que o madeirense demitiu-se no passado dia 19 de Fevereiro, protestando contra a Lei de Finanças Regionais, «que reduz em cerca de 450 milhões de euros as transferências do Estado  até 2013 - um corte de 34 milhões de euros já em 2007». Tal, provocou antecipação nas eleições regionais daquele arquipélago.

Eleições, cujo resultado foi incontornável: o “homem forte” da Madeira teve uma das vitórias mais notáveis, com 64,2% dos votos conquistados. Agora, sente toda a legitimidade para reivindicar uma alteração  à Lei de Finanças Regionais. Por este motivo, já fez saber que pretende se encontrar com o Presidente da República.

Se Alberto João obteve um dos melhores resultados de sempre, o mesmo não se pode dizer relativamente ao PS que viu os votos caírem para metade.

O que não concebo é como é permitido que uma pessoa se demita e depois se recandidate?! Esta é a questão que mais perplexidade me causa. Já é tempo de o senhor da Madeira perceber que, tal como para qualquer pessoa, existem limites daquilo que é considerado razoável.  Se fosse um político idóneo e correcto, não se demitia para se recandidatar! Na minha opinião, trata-se pura e simplesmente de abuso de poder. Estas eleições só serviram para gastar ainda mais dinheiro, uma vez que pelo corte de verbas que sofreu, a votação no PSD seria mais expressiva.

Tudo isto não passou de uma birra do “dono” da ilha. Na minha opinião, a Lei de Finanças Regionais mais não faz do que aplicar os critérios europeus da distribuição de fundos. A questão é que Alberto João Jardim gastou mais nestas eleições do que do que o corte orçamental gerado pela mesma lei. Resta-me acreditar que o nosso Governo se mantenha vertical e com espinha suficiente para dizer “não”. Alberto João Jardim faz o que faz, porque é o cabeça de cartaz da verdadeira república das bananas. As atitutes que faz questão que pautem a sua carreira, alimenta a ideia de que a política madeirense parece um verdadeiro espectáculo de circo.

É com contra-gosto que vejo alguém fazer o que quer e ainda lhe sobra tempo!


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