Feliz Natal
Publicado por Liliana Fernandes a 22 Dezembro 2006 em Artigos recentes.Religiosamente, Natal significa a celebração do nascimento de Jesus. Com o avançar dos tempos, as mudanças das vontades e o descurar de valores, o significado alterou-se. Para a pequenada significa presentes (porque assim foram educados); para os jovens significa férias e para os que ainda vivem de acordo com valores cultivados durante anos, Natal significa união. Eu, enquadro-me neste último grupo. Não porque considere ser o “mais bonito” ou politicamente correcto. Simplesmente, fui educadamente desta forma. Na minha casa, o “culto” dos presentes abrange apenas os familiares (pais, irmãs, avós e mais recentemente sobrinhos). Tenta-se dar o que for mais útil. Natal para mim é escolher a ementa, decorar a mesa e a casa, preocupar-me com a música, ajudar na confecção do jantar, do almoço, das iguarias… Estar sentada no sofá, enrolada numa manta e olhar, enternecidamente, para as luzes da árvore de Natal que piscam, dando lugar a efeitos que só o Natal nos dá.
Entristece-me o “Natal americano” - como diz uma pessoa especial - em que a palavra de ordem é comprar, ou antes, consumir. Há quem faça créditos; outros há que gastam os subsídios desenfreadamente, como se não houvesse amanhã. Não guardam algum dinheiro, ou mesmo, todo o subsídio para qualquer eventualidade que possa surgir durante o ano seguinte.
Entristece-me a “lavagem” que a publicidade faz às crianças, para que estas inistam e persistam com os pais com tudo o que vêem. Não se cultiva o acto de dar o que é necessário. Que valores irão transmitir no futuro? Esquecem-se que estão a formar os futuros governantes do país? Qualque que seja a intenção, os comerciantes agradecem. Todavia, as crianças não aprendem a valorizar. Pelo contrário, escrevem cartas e mais cartas ao Pai Natal, pedindo tudo o que vêem nos anúncios tão persuasivos.
Eu também escrevo ao Pai Natal. Escrevo para que valores como a honra, a honestidade, o amor, a família, destronem a violência, maldicência, corrupção, criminalidade, desemprego, pobreza. Esta última, tal como o peditório, deveria ser proibida por lei. Escrevo para que os que mais têm repartam pelos menos bafejados um pouco da sua sorte; utilizando um pouco da bondade que “vestem” nesta época. Escrevo para que as pessoas não se desumanizem e se estupidifiquem à velocidade do progresso que temos testemunhado, tanto a nível tecnológico, como científico. Este deve ser o verdadeiro Pai Natal e não aquele que é usado por uma sociedade consumista, hipócrita, que desmistifica o verdadeiro sentido de Pai Natal.
Gosto ou contra-gosto de alguém, desejo um Feliz e Santo Natal.

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