Heroína até ao fim
Publicado por Liliana Fernandes a 11 Abril 2007 em Artigos recentes.Este fim-de-semana acordámos com a notícia da morte de uma funcionária num posto de abastecimento, em Benavente. A revolta aumenta quando sabemos que os autores do crime ainda estão a monte. Como é possível? Há dias que aguardamos poder ver numa primeira página a detenção dos homicidas. A cada dia que passa, aquelas pessoas ficam mais perigosas e saber que foram encontrados, tranquiliza de alguma maneira. Nada vai redimir a morte daquela mulher, mas pelo menos sabemos que eles não andam por aí.
A mulher preparava-se para terminar o dia de trabalho, junto da filha que a tinha ido buscar. São pessoas marcadas pela dureza de trabalho, envelhecendo cansadas pelo esforço diário. O que lhes consolará? Talvez saber que no final do dia correm para os braços daqueles que a fazem suportar tanto esforço: a família. Os assassinos fizeram de mãe e filha reféns. A primeira serviu de escudo humano à filha, que assistiu à morte da mãe sem poder reagir. “Caminhou” para a morte para que a filha fosse poupada. Além de “mãe-coragem” era uma mulher com uma grandiosidade e alma ímpares, um amor incomensurável pelo ser que gerou. Diz o povo que é “na dor que nos revelamos”. Não sei se esta fase serve de espelho ao relato, mas esta mulher faleceu como uma verdadeira heroína.
Nada de gosto, apenas um exemplo de grandiosidade humana.
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