O anúncio foi feito esta manhã, na edição do jornal cubano Granma, e faz História. De acordo com o jornal diário, Fidel Castro renuncia à Presidência do Conselho de Estado de Cuba, dizendo que não aspira a tal cargo e, por isso, não tem a intenção de o aceitar. Na mensagem escrita no jornal Granma, o líder afirma «não aspiro, nem aceitarei - repito - não aspiro nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e de comandante-em-chefe».

Recorde-se que Fidel Castro não só é o rosto de um país que liderou durante mais de 50 anos como é também figura incontornável da última metade do século XX. O líder cubano demonstrou não temer a pressão política exercida pelos EUA e, ainda hoje, sofre com o bloqueio económico imposto pela superpotência mundial. Não esquecer que Fidel Castro assumiu este cargo - do qual está afastado há mais de um ano por doença, delegando ao seu irmão mais novo, Raúl Castro, 76 anos, a função que ocupava - quando o movimento guerrilheiro que comandou, derrotou o ditador Fulgêncio Baptista, apoiado então pelos EUA.

Desde então, enfrentou e ultrapassou diversas adversidades como nove Presidentes dos EUA e mais de 600 tentativas de assassínio por parte do CIA. A inimizade pelo país de Bush dura desde aquela altura, resultando no já falado bloqueio económico, ressentido-se em Cuba ainda nos dias de hoje. A somar, «sobreviveu ainda à dura Guerra Fria, que opôs as superpotências norte-americanas e soviética e à queda da URSS, o principal apoio do regime cubano durante muitos anos».

Agora, os cubanos preparam-se para ir a eleições, encetando, quiçá, um ciclo democrático em que o povo escolhe o seu líder através do exercício de voto, como de resto cabe a qualquer país democrático. Confesso que nunca imaginei Cuba sem Fidel e, pelos vistos, Carlos Lage - vice-presidente de Cuba - já fez saber que acredita na recuperação de Fidel Castro, admitindo, por isso, que irá votar em Fidel Castro para o reeleger como chefe de Estado.

Não conheço o país, mas sempre disse que gostava de o conhecer na época de Fidel e pós-Fidel. Será que os EUA reacenderam a esperança de invadir e dominar aquele país?


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