Lisboa sem carros

Conheço uma pessoa que me diz: “Se fosse presidente da Câmara de Lisboa acabava com os carros na cidade”. Uma frase que ganha maior ênfase quando essa pessoa vem ou está para vir a Lisboa. É o caso. Irrita-se com o trânsito, insulta os automobilistas… Tudo aquilo quase improvável de se fazer numa pequena cidade.

Eu defendo o uso dos transportes públicos e a redução de carros particulares na capital. No entanto, creio que a medida do dia sem carros, da forma como está estruturada, atrapalha mais do que ajuda. Bloqueia a vida aos moradores dos arredores das zonas cortadas ao trânsito, levando mais de metade do tempo (normal) a chegar a qualquer sítio. E para que umas ruas fiquem vazias, outras parecem “lotação esgotada”, com os polícias apenas a certificarem-se que ninguém infringe a norma instituída naquele dia, em vez de desbloquerem os engarrafamentos inevitáveis.

O dia sem carros fomenta a irritação entre as pessoas; ao contrário do que seria desejável. Ainda por cima, disse-me quem sofre directamente com esta medida que, os moradores das zonas afectadas não são informados previamente desta medida. Não entendo: os “donos” decidem condicionar o acesso a algumas ruas, enquanto noutras, mesmo ao lado, o caos instala-se. O objectivo pretendido deve ser praticado diariamente: ou seja, para levarem as pessoas a abdicar progressivamente do carro na cidade exsitem coisas que, nem no dia sem carro, devem passar em branco: o estacionamento ilegal.


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