Mariluz longe de Maddie

Tenta-se encontrar uma similitude (forçada) entre o caso Maddie e o mais recente desaparecimento de Mariluz - menina que desapareceu em Huelva. As únicas semelhanças são o facto de serem crianças e ambas terem desaparecido! Um colega e amigo esteve naquela cidade. Por lá, diz que se respira a solidariedade. Foi abordado por um habitante que disse saber que os portugueses tinham passado por aquele drama com a pequena Maddie, mas logo terá dito «Mas esta é vossa irmã!». Tal como aconteceu com a inglesa, em Huelva as paredes estão decoradas com retratos da pequena Mariluz, cinco anos. A família da criança é pobre e o desespero caracteriza-lhes o rosto. Ao contrário dos McCann, a máquina de comunicação que os pais e amigos de Mariluz contrataram chama-se Povo. Como diz aquele colega, «o valor do contrato tem um preço alto, mas vem escrito em letras. Solidariedade. Só».

O desaparecimento da menina espanhola, já se sabe como foi: desapareceu no dia 13 de Janeiro, do bairro El Torrejón, em Huelva. Ia comprar um pacote de batatas fritas com um euro a um quiosque a menos de 100 metros de casa, onde costumava ir. Foi vista pela última vez por duas vizinhas na rua das traseiras da sua casa. A polícia crê que se trate de «alguém conhecido da menina e da família», não descartando, no entanto, qualquer outra hipótese. Não têm até ao momento, elementos que façam acreditar tratar-se de uma rede pedófila. Aquele bairro é um dos mais problemáticos de Huelva. A ponto de a entrada da polícia ser, muitas vezes, difícil. Os habitantes são de classe baixa e, naquele bairro, encontram-se ligações ao tráfico de droga. O pai da menor afirmou que todas as pessoas próximas são suspeitas, incluindo ele mesmo. Como acontece em 90 por cento dos casos, Mariluz desapareceu num espaço público e não estava abandonada, ao contrário de Madeleine McCann. Aqui, reside a primeira diferença. O pai de Mariluz afirma ter uma suspeita, mas «colocar um rosto nas minha suspeitas pode ser um equívoco», revista TV Mais. Os McCann ou os amigos destes, por seu turno, não se inibiram de apontar o dedo a alguém, apresentarem um primeiro retrato robot, sem rosto (imagine-se!) e só agora, volvidos mais de seis meses, apresentam um outro com um rosto que…

Este caso, em nada se assemelha ao de Maddie, excepto nos motivos já apresentados. Não são os únicos. Senão vejamos: Mariluz desaparecu na rua de um bairro pobre em Huelva; enquanto Maddie de um quarto de um resort de luxo, no Algarve; a espanhola foi criada no seio de uma família e bairro pobres e a inglesa em berço de oiro, pertencente a uma família de classe alta britânica. No caso de Mariluz, os pais denunciaram, de imediato, o desaparecimento às autoridades e deram o alarme no bairro e no país (como de resto qualquer pessoa faria), enquanto o caso de Maddie foi anunciado por via diplomática e à comunicação social. Os pais de Mariluz não têm uma máquina de campanha nem angariação de fundos, ao contrário dos McCann que têm gabinete de comunicação, porta-voz e angariação de fundos; os progenitores da criança espanhola reagem com emoção e desespero, enquanto os de Maddie reagem com frieza. Há quem diga que é a fleuma britânica a falar mais alto, mas quando se fala de emoções…a cultura relega-se para segundo plano. Continuando a enumeração de diferenças: os pais de Mariluz fazem tudo para ajudar na investigação, contando todos os detalhes possíveis que possam ajudar a encontrar a menina, mas os McCann nunca contaram detalhes em público, incluindo recusarem que os gémeos fossem sujeitos a análises; os pais de Mariluz receberam uma mensagem do bispo, enquanto os ingleses foram recebidos pelo Papa Bento XVI, em Roma; os primeiros não têm dinheiro para pagar qualquer recompensa pela filha, mas dispõem-se a vender a casa onde vivem e no caso inglês foram anunciados vários milhares de euros de recompensa na imprensa de todo o mundo.

Em suma, entendo o sofrimento dos pais de Mariluz. Percebo que exista uma intenção óbvia, patrocinada pelos media espanhóis de constriur o seu próprio caso Maddie. Claro que este impulsionou para que o desaparecimento de Mariluz esteja a ser tão divulgado. Pode parecer natural. Porém, não páro de questionar como se sentirão as famílias que não tiveram esta mesma divulgação e que ainda hoje sofrem…esquecidas.


4 Responses to “Mariluz longe de Maddie”

  1. 1 Susana Soares

    Na minha opinião não se deixam crianças sozinhas e ainda mais com as idades delas.

    Nem a dormir, nem para ir comprar batata frita.

    E agora infelizmente elas desapareceram e a polícia não faz milagres, nem são os responsáveis.

    Sabem como andam o mundo cheio de gente muito má, sem coração, mais um motivo para proteger os mais desprotegidos.

    Irresponsabilidade de quem toma conta delas, uma loucura.

  2. 2 Pedro Silva

    Infelizmente, o caso de MariLuz acabou como não devia ter acabado. Se o tipo que está agora preso tivesse sido muito antes preso por causa do que fez à própria filha e sabe-se lá a quem mais, poderia ter sidso evitada a morte de Mariluz. Sobre Madeleine, os casos não estão ligados. O que interessa verdadeiramente aqui é devolver a criança britânica sã e salva, o facto de ser filha de médicos não interessa nada. Em vez de criticarem, ponham a mão na consciência e ajudem mas é a encontrar Madeleine sã e salva para junto de sua família.

  3. 3 Pedro Silva

    E até digo mais, acabem de uma vez por todas com o raio da especulação e falsas afirmações, porque está já provado (basta ver a explicação e pedido de desculpas) por parte dos jornais britânicos, que só levantaram mentiras e as puseram na imprensa, por palavras deles: quando não há provas de nenhum involvimento do casal McCann no desaparecimento dela nem sequer de morte (da qual não há nenhuma prova). Tenho dito. Portanto, pensem bem antes de atacarem as pessoas que estão a fazer o melhor que podem (e sabem) para encontrar a própria filha. E deixo uma pergunta no ar: QUAL É O PAI OU MÃE QUE NO LUGAR DO CASAL McCANN NÃO FARIA O MESMO PELO SEU FILHO OU FILHA, ISTO É CORRER MUNDO E REVOLVER CÉU E TERRA ATÉ A ENCONTRAR?

  4. 4 Pedro Silva

    Só mais uma coisa: CONVÉM NÃO ESQUECER QUE O CASAL McCANN FALOU E CONTINUA A FALAR NAS OUTRAS CRIANÇAS DESAPARECIDAS, PROVA DISSO É A DESLOCAÇÃO AOS E.U.A. PARA COLOCAR O CÓDIGO AMBER NA EUROPA.

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