Não fosse o estudo…ninguém diria
Publicado por Liliana Fernandes a 24 Outubro 2007 em Artigos recentes, Insólitos.Conheço uma pessoa, detentora de uma paciência infindável para ouvir o que escrevo. Conversamos várias vezes por telefone e é com o tempero das minhas palavras que vamos cozinhando a conversa. Umas vezes ela propõe que leia; outras a iniciativa parte de mim. Percebo que o faz a gosto e não contra-gosto. Aliás, não é pessoa de fretes o que muito me agrada. Tal contribui para a nossa sintonia, pois também eu evito agir contrariada. Quando termino, sou brindada com um ”sonoro” silêncio, dando espaço para germinar 1001 ideias do que a pessoa possa estar a pensar. Aquele silêncio arranca-me diversas sensações: não gosto, ela sabe-o, mas insiste! Tem graça! Depois, quebra o silêncio e tece mais um dos generosos e rasgados comentários. Tem graça, tem, tem!
Bem, não é disto que vos quero falar. No meio da conversa, e porque de palavras estavamos a falar, a pessoa mencionou o ”Plano Nacional de Leitura”. Não importa a que propósito a pessoa mencionou a iniciativa. A verdade é que ripostou sobre um aspecto que de tão patético que é, confesso que não me tinha ocorrido. É tão óbvio que não passa pela cabeça de ninguém que assim não seja. Trocámos ideias e a conclusão foi idêntica. É tão bom falar com pessoas inteligentes!…
E do que falávamos? Imagine que um estudo levado a cabo por quatro investigadores da Universidade Católica concluiu que a família é a principal responsável pelos índices de leitura jovem. Ninguém diria… Se as crianças moram com os pais, adquirem os seus hábitos e são eles que, à partida, os formam… Claro que têm de ser espicaçadas, estimuladas para que o interesse por ler, saber evolua com o crescimento e se tornem pessoas acicatadas e esclarecidas. É lógico que sofrem as influências directas. Eu própria: leio imenso e desde que me lembro que tenho tal hábito. Tenho pais que sempre estimularam este gosto. De outra forma… A menos que se pense que todas as crianças são autênticos Noddy, que com três ou quatro anos mora sozinho e até conduz!
Ambos lamentámos que este estudo tenha sido pago por todos nós. De outra forma, seria muito complicado chegar a tal conclusão!
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