Brincar ao polícia-ladrão
Publicado por Liliana Fernandes a 20 Novembro 2007 em Artigos recentes, Insólitos.Ontem estava a ouvir a TSF quando percebi que a notícia do suposto assalto a um balcão da Caixa Geral de Depósitos (CGD), em Vila do Conde, afinal nunca aconteceu. Equacionei a hipótese de ter ouvido tudo mal, ensurdecida pelo barulho que se fazia sentir à minha volta. Mas não. Confirmou-se: o assaltante fugiu antes de a polícia chegar. Ou seja, o alegado assaltante fugiu sem roubar o quer que seja e as reféns tmabém não existiram; antes ficaram reféns do seu próprio medo. As funcionárias estiveram deitadas no chão por ordem do alegado assaltante e quando ele saiu refugiaram-se na casa-de-banho.
O que me causa espécie é a própria polícia não se ter apercebido atempadamente que tal não passaria de um “ensaio”. Habituada a este género de situações não estranhou que o assaltante não dialogasse com as autoridades? Não estranhou que não fizesse exigências? Não achou o ambiente demasiado calmo ao contrário do que seria de esperar num cenário real? E as “reféns”? - não estranharam ninguém falar com elas? Se se aperceberam, de facto, que o indivíduo tinha ido embora por que se barricaram na casa-de-banho? Porém, o Correio da Manhã adiantou que aquelas desconheciam a fuga do indivíduo.
É certo que nunca me vi envolvida numa cena semelhante e, por isso, é fácil agora ser “treinadora de bancada”. Admito que o pânico e medo tenham atraiçoado as senhoras, impedindo-as de manterem a lucidez. Quanto à polícia - experiente nestes casos - julgava ser mais fácil perceberem quando estão diante de um cenário falacioso. Foram dezenas os agentes que acorreram ao local e foram induzidos em erro pelas “reféns” que faziam crer, segundo o jornal 24 horas, que o assaltante ainda estaria dentro das instalações: «os dois indivíduos estiveram realmente dentro do banco e, apurou o 24 horas, terão fechado as mulheres numa casa-de-banho. Estas contactaram a PSP, garantindo que os gatunos ainda estavam dentro das instalações. A versão manteve-se a cada conversa via telemóvel com as autoridades (…)». Posteriormente, as autoridades terão conseguido resgatar uma das funcionárias, sendo nessa altura confrontado com um “não assalto”: não estava ninguém na CGD.
Tudo isto serviu apenas para termos a certeza de que a polícia agiu de forma célere, preocupando-se, antes de mais, em garantir o bem-estar das funcionárias.
L,
então e se for outra coisa?
http://setevidascomoosgatos.blogspot.com/2007/11/com-dum-dum-no-escapa-um.html