Muito antes do Mundial começar, já ele era tema de conversa em qualquer lado. Fosse nos cafés, nos transportes, na rua, adultos e crianças já vibravam com o Mundial.
O dito estreou e a esperança e o fervor das pessoas aumenta a cada golo da equipa das quinas. Os supermercados enchem para a compra de petiscos e os cafés já não têm cadeiras para tanta gente. O consumo de cerveja chegou mesmo a triplicar como dizia um comerciante há dias «com o futebol parece que as pessoas não têm crise».
Famílias que recebem Rendimento de Inserção Social (antigo Rendimento Mínimo Garantido), que pouco ou nada têm para comer e dar de comer todo o ano, em época futebolística até esquecem os problemas e a tão falada crise. De um momento para o outro, o Mundial “salvou” a vida dos portugueses. As pessoas pensam menos nos problemas ou simplesmente não se lembram, porque estão em festa pelos jogadores que recebem um “balúrdio” por cada etapa ganha.
E se calhar perguntam-se: “mas não estás feliz por Portugal estar bem classificado?” A resposta não tarda - estou contente. Contente pela prestação dos jogadores portugueses, que, afinal, mais não fazem do que justificar os pontapés que dão na bola e mostrar que também sabemos ganhar. Que não tememos os “reis” do futebol. De igual modo contente por se falar de Portugal aliado a algo que nos enche de orgulho: o desempenho no Mundial.
Porém, enquanto as televisões dispensam milhões para cobrir este “acontecimento”, enquanto os jornais aumentam as suas tiragens; o desemprego continua a aumentar, continuamos a ser o povo com menor raciocínio abstracto da Europa, o recurso a empréstimos e créditos continua a subir, o número de licenciados desempregados cresce e o nível de vida dos portugueses decresce. Mas pelo menos temos Portugal a um jogo da final! No entanto, o Mundial vai passar e os problemas realmente importantes vão continuar a existir.
Não pensem que estou contra o Mundial, apenas lamento que se ignore a situação preocupante em que vivemos. Que continuemos a ler primeiras páginas e ouvir a abertura dos telejornais como se nada mais importasse. Como se só o Mundial fosse notícia. Parece que o país está num período de letargia e que, quando a fase futebolística passar, logo acorda para a realidade. Aí, pode ser que perceba que, afinal, continuamos a caminhar (a passos largos) para a crise e nem o Mundial mudou o cenário.
Era bom que os portugueses tivessem a mesma garra e vontade para enfrentar os problemas, como têm para ver e festejar os jogos. Concordo que se tentem divertir, pois o dia-a-dia já é complicado que chegue para muitos.

Como vêem, até o Mundial é passível de gosto e contra-gosto!

5 Responses to “O Mundial passa e a crise continua”

  1. 1 DrK

    Muito bom seu texto sobre o mundial de futebol.

    Muito bom o blog todo também.

    Parabéns

    []’s

  2. 2 Tisha

    Gostei mt das tuas apreciações… mt bem escrito e mt bem exposto.
    Parabéns e continua.
    Bjo

  3. 3 Anonymous

    Gostei muito do texto e também do layout do gosto e contra-gosto! Estou “contactada” com as tuas palavras e a forma como estão estruturadas.

    Já sou adepta do teu blogue, agora fico à espera de mais para “gostar ou contra-gostar”!

    Muitos beijinhos

  4. 4 Anonymous

    I say briefly: Best! Useful information. Good job guys.
    »

  5. 5 Anonymous

    Enfim, o que dizes no teu artigo é quase axiomático. No entanto existe a questão económica na qual a acepção e conceptualização de termos como efeitos multiplicadores do turismo estão implicítas. Assim temos os prós e os contras, sendo que, para os mais leigos este fenómeno desportivo é muito positivo enquanto dura, claro!!! Porém ele acaba!!! Enfim, o Futebol é mesmo o ópio dos Povos!!! a nova «religião» dos despreocupados ou será a dos desiludidos? aqui fica mais uma opinião a gosto e contragosto fazendo juz ao Blog. Parabéns pelo teu artigo. Continua A.P.B.S.S ;)

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