O último artigo - “Desculpem? Não percebi!” - foi apenas uma constatação do que realmente aconteceu. Fique claro que não pretendo ser voz defensora dos países ocidentais, incluindo dos EUA. O texto é o reflexo da minha opinião. Teria a mesma concepção, sendo Zimbabwe um país africano ou asiático. Não é a localização geográfica que motiva a minha perplexidade. Aconteceria com qualquer outro país que (não) reunisse o mesmo leque de (falta) condições. Quem me conhece sabe que não sou adepta da postura americana e é pela sua atitude intrometida (onde não lhe compete) que a relação com o Iraque chegou onde chegou, por exemplo. Outros casos serviriam de emblema. Não escrevi o que escrevi por considerar que um país africano, porque é africano, não teria ou não tem direito de ser nomeado a presidir uma “causa” de tamanha envergadura. Longe disso. É simplesmente por ter as condições que se conhecem. Apenas isso. Sob pena de não poder cumprir os princípios a que se propõe. Além disso, o que me chocou foi a justificação dado pelo Embaixador de Zimbabwe nas Nações Unidas: «O que é que o desenvolvimento sustentável tem a ver com direitos humanos?». O que tem a ver? Então, e o que não tem a ver?

Pelo texto não querer dizer mais do que diz, parafraseio uma troca de emails que tive, a propósito do artigo supracitado, com alguém muito atento ao meu percurso. Parafraseio, porque subscrevo na íntegra tudo o que foi dito e encaixa, plenamente, na minha forma de pensar. A pessoa que encetou o intercâmbio de opiniões a respeito do mesmo artigo, referiu que a principal potência mundial - EUA - dirigem inúmeras associações. O ridículo da situação é que grande parte daquelas mesmas associações promovem aquilo por que todos desejam: paz. Contraditório: o país que mais incita ao terrorismo e crime em massa, é cabecilha de associações que se dedicam a promover a paz! Além de serem pioneiros em ataques estrangeiros, são igualmente responsáveis pela morte de cerca de três dezenas de pessoas por dia, apenas em Bagadade. Todavia, outros exemplos foram invocados, como se eu estivesse a crucificar Zimbabwe em detrimento de outros países, que têm igualmente contra-gostos como quaisquer outros. Como se estivesse a culpabilizar pelas condições reais com que luta para sobreviver.

A saber, o meu interlocutor ainda deu o exemplo de França que liberta armas para grande parte do globo, sendo co-responsável pelo genocídio em Ruanda e provocando, deste modo, a morte de 900 mil pessoas. Na realidade, o que quis dizer é que podia ser qualquer país (da UE) a assumir a dita responsabilidade - mesmo tendo bombardeado a antiga Jugoslávia, com particular incidência em Belgrado - desde que não fosse africano. Pensamento falacioso. Desengane-se. Não quis dizer mais do que está no texto. No fundo, sei que é suficientemente inteligente para perceber o que realmente foi dito, não se tratando de qualquer acto de exclusão. Creio que foi traído pelo sangue, que falou mais alto.

Mas gosto desta troca de “galhardetes”. Aperfeiçoa-nos!


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