Poderia ser Madalena
Publicado por Liliana Fernandes a 14 Maio 2007 em Artigos recentes.Indiferente não se fica. Oiço os comentários mais absurdos, incluindo “quem não é mãe, não sofre da mesma maneira”. Pergunto: a legitimidade do sofrimento depende da condição de quem o sente? Para mim é sofrimento e ponto! Quer seja mãe ou filha. Quer dizer apenas uma coisa: que sinto, não sou indiferente e tenho sentimentos. Sou de emoções.
Estou solidária com o drama que os pais da pequena Madeleine estão a passar. Deve ser angustiante querer saber, falar com alguém e desconhecer-se onde está, o que está a fazer ou a pensar.
O alerta foi dado de imediato e a polícia célere a actuar. Ouvi, no outro dia, um Jornalista dizer que as fronteiras foram fechadas tardiamente, dando espaço a que a menina saísse do país. A verdade é que a primeira hipótese levantada foi de desaparecimento e não de rapto. Essa foi a última e, ao que parece, assumindo-se como a mais plausível. A verdade é que a criança podia simplesmente ter acordado, saído por qualquer motivo, procurado os pais…sei lá.
Todos os meios de busca e investigação foram accionados, transformando a pacata localidade de Praia da Luz num verdadeiro centro de operações. O que não concordo é no festival em que este caso se transformou. Um verdadeiro circo e troca de galhardetes entre as polícias inglesa e portuguesa. A primeira resolveu expor em praça pública o trabalho e métodos de investigação da Polícia Judiciária (PJ) , apelidando-a de ineficaz, entre outros. Na realidade, a PJ é, somente, umas das melhores polícias de investigação de todo o mundo. É sabido. Simplesmente está inserida em Portugal que tem leis de actuação antagónicas às inglesas. Assim, como estas serão diferentes das francesas. Difere de país para país.
O facto de não publicar o retrato-robot do presumível suspeito não faz da PJ incompetente ou inerte. Isto, porque em terras de Sua Majestade, é prática divulgar os ditos retratos assim que são “constituídos”. São normas de procedimento. A nossa lei e polícia consideram contra-pruducente publicar o retrato de um suspeito, sob pena de atrapalhar a investigação ou tudo o que dela advém.
O que me choca no meio de toda esta situação foi o aparato que se criou à volta de um desaparecimento de mais uma criança. Perdoem-me a frieza, mas a verdade é que se trata de mais uma criança. Mais uma a juntar à Joana e a tantas outras. Não quero dizer que serve de pretexto ou desculpa. O que distingue esta criança é a sua nacionalidade: inglesa. Por isso, suscitou todo este espectáculo. Por ser inglesa. Perguntam: qual a relação? Apresento alguns motivos. Entre eles por questões políticas e económicas entre Inglaterra e Portugal, mas acima de tudo por questões turísticas. Abalando a estrutura política, abana-se igualmente a economia nacional. A imagem que passa para o outro lado. Não foi à toa que o lançamento de “Allgarve” foi adiado. Basta pensar.
Gosto de saber o desempenho da nossa polícia, mas contra-gosto sei o que motiva tanto aparato. Estamos a falar de vidas!
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