Porreiro, pá!

Não é novidade que sempre me debati para que a vacina contra o cancro no colo do útero fosse incluída no Plano Nacional de Vacinação (PNV). Não entendia a relutância desta inclusão e o argumento do elevado custo que tal acarretaria não é persuasivo. Estamos a falar de vidas! Isto deveria bastar, por si só.

É com gosto e satisfação que agora regresso a este assunto. Se dei a cara quando a posição do governo era contragosto, também o devo fazer quando o contrário se denota. No primeiro dia de debate do Orçamento de Estado para 2008 um dos temas dominantes foi a saúde, com especial incidência para a integração da vacina contra o cancro do colo do útero no PNV. Uma notícia que me deixou particularmente feliz. Não pela questão monetária, mas acima de tudo porque sou mulher. Uma medida que está agendada para Setembro do próximo ano. Muitas mulheres já podem respirar de alívio, pois o Primeiro-ministro garantiu «o acesso não depende das condições económicas das famílias».

Recordo, o que escrevi no artigo incluído no primeiro link: incluir esta vacina no PNV não é jogar dinheiro à rua. Pelo contrário: o cancro do colo do útero faz com que Portugal seja um dos pioneiros com maior incidência desta doença, na União Europeia, perdendo cerca de 300 mulheres anualmente. Por isso, custear esta vacina é uma obrigação; é imperativo. Esclareça-se, ainda, que este tipo de cancro não apresenta sintomas até à última fase. Com a principal prevenção é possível reduzir até 70 por cento a incidência deste malefício. Questiono: todas as vacinas abrangidas pelo PNV têm igual ou maior impacto que o cancro do colo do útero na saúde pública? Não seria uma forma de reduzir os gastos de saúde, sendo um investimento plausível? Mais: um investimento ganho? O Estado deve ser o garante de uma sociedade, zelando pela mesma. Não seria favor algum, apenas uma obrigação.

O tema pode e deve ser analisado, ainda, de um outro ângulo: muito se fala que é imperativo ou antes necessário contribuir para o aumento da natalidade; então, com mulheres a morrer vítimas de cancro do colo do útero e com tantas outras com acesso vedado à prevenção, que estratégia apresentaria o Estado para o incentivo do crescimento da natalidade, se não incluísse esta vacina no PNV?


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