PS cai em contradição

Há uma coisa que não percebo. Vou tentar ser escorreita na exposição da dúvida, na esperança que alguém me possa elucidar. Ontem, a paralisação dos camionistas fez notícia. Dias antes, a paragem do sector das pescas também esteve na ribalta. Os motivos do protesto são comuns a ambos os sectores: a sucessiva subida do preço dos combustíveis, que, como consequência, encarece os custos de produção; a promoção das paralisações tem, na base, o patronato quer de um, quer de outro sectores.

Razões à parte, o certo é que o PS está com um dilema político. Senão vejamos: há pouco mais de uma semana, foram cerca de 200 mil trabalhadores que se manifestaram contra o Código de Trabalho, reivindicando a anulação da sua revisão. Recorde-se que o novo Código do Trabalho prevê maior facilidade de despedimento, bem como perda de algumas das garantias existentes. Naquele mesmo dia, tanto José Sócrates como o ministro Vieira da Silva anunciaram que não cederiam às pressões daqueles manifestantes.

Quando os patrões do sector da pesca deram por terminada a paralisação, poucos dias depois, Vieira da Silva recebeu-os, negociou e foi possível chegar a acordo. Pergunto: os patrões dos camionionistas vão pelo mesmo caminho? Isto é, serão igualmente recebidos pelo ministro e, quiçá, firmarão um acordo? Por isso não entendo que espécie de governo, que se assume socialista e de esquerda, nós temos, que cede à pressão na rua dos patrões e, por outro lado, resiste à dos trabalhadores?


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