Radovan Karadzic ouvido hoje
Publicado por Liliana Fernandes a 31 Julho 2008 em Artigos recentes.Apesar de o julgamento só acontecer dentro de alguns meses, hoje, o antigo líder dos sérvios da Bósnia vai ouvir as 11 acusações pelas quais terá de responder no Tribunal Penal Internacional para a Jugoslávia (TPI-J). Esta tarde Karadzic terá de responder à pergunta se é culpado ou inocente, sendo que o réu poderá manter-se em silêncio durante 30 dias, sobretudo se tivermos em conta que o recém-capturado tenciona gerir a sua própria defesa.
Recorde-se que Radovan é acusado de crimes contra a humanidade, genocídio, crimes de guerra, entre outros, durante o período entre 1992 e 1995 - guerra da Bósnia. As acusações reportam-se, com maior incidência, ao massacre de oito mil muçulmanos em Srebrenica e o cerco de Sarajevo.
No entanto, este ainda não o passo fulcral para que a associação da Sérvia à União Europeia (UE) se verifique a breve trecho. Para que esta se torne numa realidade a médio prazo, a presiência francesa da UE já fez saber que é imprescindível a captura do chefe militar de Karadzic - Ratko Mladic - bem como a do antigo responsável dos sérvios da Croácia, Goran Hadzic. Não esquecer que o comportamento de Belgrado, vital para a integração da Sérvia na UE, vai ser avaliado no próximo mês de Dezembro, no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Voltando a Radovan Karadzic…é de sublinhar que a sua detenção pode ser interpretada de duas formas: por um lado contribui para que o TPI recupere alguma credibilidade; por outro alerta para a fragilidade que ainda se faz sentir nos Balcãs, podendo desencadear num novo conflito, devido a mal-entendidos políticos da Europa. A Jugoslávia de Tito é, hoje, parte da história, tendo dado lugar a diversos países, sendo que alguns alcançaram a sua independência sob sangue e violência. Belgrado tem vindo a perder poder e importância, adivinhando-se que ficará confinada à simples designação de capital da Sérvia, a quem, dizem os nacionalistas, lhe roubaram o coração: Kosovo. Recorde-se que a declaração unilateral de independência do Kosovo foi feita sem grandes problemas, mas ainda não foi reconhecida pelos 27, incluindo Portugal. E, neste campo, urge uma atitude da Europa sob pena de que aqueles que se sentiram ultrajados com a independência, não usem a captura de Radovan “para capitalizar internamente a perda em causa, provocando novo conflito”. Em suma, a Europa deve reunir esforços no sentido de Karadzic não passar além daquilo que é: alguém que se socorreu da violência.
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