Reacções à renúncia de Fidel Castro
Publicado por Liliana Fernandes a 19 Fevereiro 2008 em Artigos recentes.Por cá, os partidos políticos, com especial incidência no PCP, já fizeram saber que a decisão de Fidel Castro já era esperada e, por isso, é encarada com naturalidade, sobretudo tendo em conta o estado de saúde do líder nos últimos 19 meses. Quase a uma voz, todos entendem que esta decisão poderá ser um passo para a democracia e liberdade de Cuba. O partido liderado por Jerónimo de Sousa espera, porém, que a política de Fidel continue a ter seguidores.
Já Francisco Louçã, um dos rostos do Bloco de Esquerda (BE) fez saber que «a grande reforma é necessária no que diz respeito à liberdade de imprensa, à liberdade de opção política que permita o pluralismo e o reforço da vida democrática». Todavia, o cerne da questão para o líder do BR prende-se com outro factor: «creio que o primeiro grande desafio da comunidade internacional é terminar o embargo, em vigor há muito e que nunca teve sentido».
Quem também fez conhecer a sua opinião foi o Presidente dos EUA - George W. Bush - que, em visita no Ruanda, afirmou que este poderá ser o início da transição democrática, em Cuba. Na mesma declaração, Bush “aconselhou” o regime de Havana a começar esta nova fase com a libertação dos presos políticos e que a mudança política deve acontecer mediante «eleições livres e justas». Mais: ofereceu ajuda ao povo cubano e avisou a comunidade internacional para «não ceder à tentação de privilegiar a “estabilidade” em detrimento da democracia em Cuba».
Seja como for, Cuba vai poder continuar a contar com o apoio da China, que notou não ter por que quebrar a “amizade” com aquele país. Para aquele país, Fidel é um «dirigente revolucionário profundamente amado pelo povo cubano e velho amigo do povo chinês». Por isso, reitera o apoio para com o país de Fidel, fechado em si mesmo há anos, afirmando: «A China e Cuba são países amigos. A China continuará a consolidar e a desenvolver as relações de cooperação amigável».
Talvez se encerre um capítulo da história, inaugurando um outro, com sangue novo, ainda que seguidores dos princípios de Fidel Castro que, acredito, jamais se irá demitir do cargo de revolucionário convicto dos seus ideais.
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