Só falta a senha!
Publicado por Liliana Fernandes a 15 Outubro 2007 em Artigos recentes.Há coisas que ainda me conseguem espantar. No sábado à noite aconteceu-me algo absolutamente…ridículo. Nem sei muito bem como classificar. Senti-me estar numa verdadeira montra. Espantem-se os que me conhecem: este fim-de-semana saí à noite…até bem noite! É verdade, algum dia tinha de ser. O que me aconteceu foi tão inusitado (embora digam que é normal em determinados sítios), que percebo por que opto por outras distracções.
Imaginem que eu e as pessoas com quem estava acompanhada decidimos ir a um sítio, que se distinguia dos demais por ter uma fila enorme à porta. Depressa percebemos que se tratava da fila para entrar. Colocámo-nos a jeito e qual não é o meu espanto quando vejo pessoas do meio ou final da fila a entrarem primeiro do que as que estavam à frente. Cumprimentavam o segurança com grande à-vontade. Pensei: vamos ficar aqui o resto da noite sendo que nenhuma de nós conhece aquela figura. Pouco depois escolheram-nos e outras pessoas que já estavam na fila lá continuaram a aguardar. Afinal qual é o critério de selecção? Depende da carinha de palmo e meio? Do que se tem vestido? Do cheiro do perfume já misturado com o fumo do tabaco transferido de um outro sítio? Ainda houve quem se atrevesse a especular: “se calhar está muita gente lá dentro e não cabemos todos”. Improvável: por essa linha de raciocínio ficariamos na rua o resto da noite, porque as pessoas não entram e saem de imediato! Afinal, quando entrei percebi que havia espaço para aquelas pessoas e muitas outras. Tratar-se-á de uma técnica de charme que, de todo, desconheço? Senti-me muito mal, como se estivesse numa montra. Além disso, achei injusto entrar primeiro que outras tantas pessoas, à espera há mais tempo do que nós! Porquê? Preparava-me para ripostar, mas as minhas companhias lá me impediram, argumentando que não valia a pena. Calei-me, sob protesto. Como não estava sozinha…engoli em seco, mas muito a custo, como devem imaginar!
Mais uma vez percebi por que não gosto de sair à noite. Há pessoas que fazem daquilo uma missão de engate: elas preferem habilitar-se a uma valente constipação, desfilando os modelitos, em vez de andarem vestidas; eles roçam em todas as raparigas com que se cruzam e se alguma lhes dá uma resposta, disparam “hum…gosto desta. É das que gosta de se fazer de difícil”, ignorando a expressão facial que denuncia um valente “importaste-te de não te roçar e escafederes-te daqui para outro lado? Agiliza-te daqui para fora!”. Se calhar acham que é charme fazerem-se ainda mais de parvos, sonhando que alguém lhe cai de amores. A somar, é o incómodo do fumo, do falar alto porque ninguém se ouve no meio de tanto barulho e música alta (muitas vezes desinteressante) e as figuras tristes que fazem porque bebem sem saber. A maioria das pessoas não sabe beber. Acha que só se diverte se estiver demasiadamente “alegre” e, porque actua por psicologia de grupo, não sabe dizer “não”. Pensam: “se não alinhar, sou excluída”. Quem é Amigo não exclui por alguém se manter fiel aos seus princípios. Eu não actuo pela maioria nem minoria: as minhas atitudes dependem apenas das minhas convicção e vontade. Por isso, sou conhecida por ter um feitio…”peculiar”.
Uma amiga desafiou-me a sairmos todos os fins-de-semana até porque mantém acesa a esperança de arranjar um namorado. Nunca se sabe onde está a “cara-metade” e onde podemos tropeçar nela, mas num ambiente daqueles… vou deitar-me para não me cansar. Outros há que já encontraram a “peça” que faltava na vida e não pode ficar com ela. Realmente, a vida é muito contraditória. E agora, um desafio aos crentes em Deus: se ele existisse não acham que seria legítimo e justo que eu estivesse com quem de direito?
A analisar pelo cenário de sábado…é contra-gosto que repita a experiência.
Tem graça este post, mas infelizmente é assim que o mundo da noite, nesse tipo de estabelecimentos, funciona.
O critério de selecção acaba por ser algo rigoroso e, sim, tem a ver com os pontos que referiu e mais uns tantos. Ora, podemos citar também as experiências que os estabelecimentos têm e tiveram com determinadas pessoas (algumas com “cadastro” na casa), a própria lotação do estabelecimento (implica um ambiente tolerante) e, se não o mais importante, o dinheirinho de quem o pode lá deixar sem se queixar depois! Sim, porque os porteiros também têm olho para isso e, sobretudo, é do dinheiro que eles também sobrevivem! Logo se não venderem bebidas, o estabelecimento não faz sentido estar aberto, certo?
Bem, aliando as caras bonitas, as gentes bem vestidas e o pessoal endinheirado para a noite, têm como resultado final um bom ambiente com pessoas bonitas e ainda facturam!
Não terá alguma lógica isto? E a frase “Reservado o direito de admissão” também diz muito!
Sendo assim, quem não tem muito dinheiro vai para a tasca da esquina, quem o tem vai para os sítios fashion com filas injustas e quem não gosta fica em casa! É simples!
Agora quem costuma sair à noite sabe as regras e aquilo que tem que passar para poder usufruir desses estabelecimentos, incluindo filas injustas! Mas c’est la vie!
Aproveito para salientar também que cada vez mais vivemos com inconformidades neste mundo, que mais cedo ou mais tarde acabam por se tornar conformidades (não há outro remédio)!
Quer uma?
O tal miúdo da ìndia que dizem que é um génio, procura a cura para o cancro e diz que só precisa dos meios e não de colaboradores. Os médicos que o entrevistaram disseram logo: “Infelizmente o mundo não funciona dessa forma…”
Ninguém vai o vai deixar trabalhar sozinho! Haverão sempre os “abutres”.
tens de sair mais vezes
rvn
acredita, a sério: tens de sair mais vezes