“Veni, vedi, vici!”

A Cimeira de Lisboa ficou marcada por diversos aspectos, mas um passo de cada vez. Durante dois dias a cidade de Lisboa é, sem dúvida, das capitais mais vigiadas. Devemo-lo ao subintendente Ismael Jorge, da PSP, que explicou à TSF por que se trata, de facto, de uma mega-operação de segurança: «o plano de segurança contempla as várias componentes desde a segurança na chegada aos aeroportos, a segurança nos itinerários das delegações, a vigilância dos hotéis e a vigilância do Parque das Nações». Para que tudo estivesse funcional contribuíram «30 delegações com 400 pessoas, três mil polícias, mil jornalistas e 70 oficiais de línguas».

Os líderes dos 27 Estados da União Europeia (UE) iniciaram, ontem, a Cimeira da UE decididos a alcançar um acordo histórico - como muitos apelidavam - sobre o Tratado que substituirá a então Consituição Europeia, para muitos rotulada de falhada. Para que a iniciativa fosse levada a bom porto, era necessário solucionar alguns entraves colocados pela Polónia e Itália. Vamos conhecê-los: Lech Kaczynsky, presidente da Polónia já tinah feito saber antes de partir para Lisboa que «o sue país vai para a Lisboa sem margem de manobra nas negociações finais sobre o futuro Tratado europeu, garantindo que Varsóvia honrará o compromisso acordado em Junho pelos 27, em Bruxelas»; por seu turno, Itália reivindicava o aumento do número de deputados nacionais no Parlamento Europeu, querendo equiparar-se ao Reino Unido e França, mesmo sendo detentora de menos população do que os dois outros países. Predispôs-se a adiar a solução, mas Sócrates não estava para ajustes: ambas as questões iam ver fim à vista, na sua cidade.

Desde que assumiu a presidência da UE até ao final do ano, Sócrates nunca escondeu que a sua meta era a aprovação, na capital portuguesa, do Tratado Reformador da UE, bem como a sua posterior assinatura. Bem dito, bem feito! Podemos aplicar ao Primeiro-ministro José Sócrates a máxima proclamada por Júlio César quando venceu frase, celebrizando veni, vedi, vici! Pouco passava da meia-noite quando se confirmou o acordo desta Cimeira, que culminou com o tão desejado Tratado de Lisboa.

Outro ponto por que esta Cimeira se caracterizou foi a expressão que dirigiu a Durão Barroso - Presidente da Comissão Europeia - no final da conferência de imprensa: «Porreiro, pá!». E se tudo terminou em bem, importa saber como é que José Sócrates contornou as “exigências” de Polónia: «reforço do estatuto político e jurídico do chamado Compromisso de loannina, que permite, em certas circunstâncias, suspender uma decisão comunitária adoptada por uma maioria qualificada de estados-membros, num protocolo anexo ao novo Tratado». O Tratado de Lisboa será formalmente assinado a 13 de Dezembro, na cidade que lhe dá o nome.


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