“Yes, we can”
Publicado por Liliana Fernandes a 10 Junho 2008 em Artigos recentes.Não gosto da política exercida por George W. Bush. Tinha começado o seu mandato há pouco tempo, quando a América sofreu um dos maiores golpes de sempre: o 11 de Setembro de 2001. Nunca se ergueu do ataque; antes adoptou uma postura arrogante, vingativa e unilateral, achando-se acima de tudo, achando-se “todo o poderoso”. Incomoda-me essa atitude. Tentou “abater” as Nações Unidas, como se fosse uma entidade descartável e reuniu esforços para submeter os seus aliados aos interesses americanos. A meta era ganhar dinheiro, custe o que custasse, sem limites, não mostrando indulgência para com aqueles que lhe tentassem barrar o caminho. Não olhou a meios para atingir fins. Falo-vos, por exemplo, da saga contra o Afeganistão, cuja NATO lhe deu o “amén”; e contra o Iraque, que se revelou num “desastre histórico irreparável”. Oxalá, o feitiço não se vire contra o feiticeiro e a NATO não sofra com esta parceria. Foram raras as vozes que se uniram contra as duas invasões e o que engrossa a lista de ataques americanos: Guantánamo, Abu Ghraib, além de todos os crimes e violências repetidamente praticados. Só não entendo como um tipo assim arrecada um segundo mandato! Não entendo por que este indivíduo se considera o supra-sumo do mundo, faz o que lhe passa pela real gana e fica incólume. O que é preciso acontecer (mais) para se perceber que Bush é tudo menos inócuo? E o mesmo acrescente-se de todos aqueles que são aquiescentes com as suas atitudes. Porque tem de meter o nariz nos outros países, achando que tudo conspira contra a América? Pensa, por mero acaso, que são todos como ele próprio? Para mim, é, indubitavelmente, o pior presidente que os EUA tiveram. Considerava Saddam Hussein como um assassino em massa, um terrorista. Pergunto: e Bush o que é? As vidas que também ele sacrificou em prol dos seus interesses não são contabilizadas?
Por tudo isto, admiro Barack Obama e torço para que ganhe as eleições. É a lufada de ar fresco que faz falta aos EUA (e resto do mundo) e, desde o início, afirmo que à final vão ele e McCain. Ganha Obama, ele próprio que, na altura exacta, deu a conhecer o que achava da política de Bush, denunciando o crime da “guerra preventiva” desencadeada contra o Iraque. Admiro a lucidez com que discursa, a sua convicção e a forma corajosa com que se faz ouvir. Admito, porém, que os republicanos não aceitarão tão calmamente um negro na Casa Branca; antes fechariam os olhos a uma presença feminina. Na segunda vitória, Obama imortalizou “Yes, we can!”, equiparando-se a Martin Luther King que perpetuou “I have a dream”. Com Barack Obama é possível retomar o “sonho americano”, baseado nas suas grandes referências: Lincoln, Roosevelt, Martin Luther King e John Kennedy. Os temas que defende são a paz, os direitos humanos, o reforço das Nações Unidas, mais emprego, menos desigualdade, redução da pobreza, melhores serviços de saúde gratuitos, melhor educação e defesa de causas ambientais.
Para a eleição de 4 de Novembro estarão Barack Obama e John McCain, que recebe o apoio do actual presidente dos EUA. Defende a permanência das forças armadas americanas, no país do falecido Saddam Hussein, o tempo que se revelar necessário; Barack, por seu turno, despertou a juventude americana para a política. Em suma, de um lado temos a América conservadora; do outro a progressista. Ganha Barack Obama e, com ele, não só a América sai vencedora, como grande parte do mundo. A sua entrada, na Casa Branca, representa ”uma revolução cultural e política”, como escreveu Mário Soares, no seu artigo de opinião, no Diário de Notícias.
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