Como (não) funciona o país
Publicado por Liliana Fernandes a 16 Outubro 2006 em Está bonito e leva jeito.Fazemos parte da UE por mera…casualidade. De resto, funcionamos como um país do terceiro mundo.
Imagine estar à espera do ordenado, precisar de comprar bens essenciais e, de repente, fica a saber que não recebeu o que era devido por estar morto!?
Foi o que aconteceu a “Manuel” (nome fictício) no passado mês de Agosto. Reformado desde os 36 anos e actualmente com 74 anos, Manuel contou sempre com a reforma para as despesas mensais, incluindo os medicamentos. No entanto, em Agosto não recebeu o vale para levantar a reforma nos Correios. Na esperança de perceber o que se passava, foi à estação de Correios para saber o que poderia ter acontecido ao vale. Esforço em vão: disseram que não tinham recebido nada.
Poucos dias depois recebeu uma carta, em seu nome, informando de que o pagamento de reforma tinha sido cessado por motivos de falecimento (do próprio). Espantados? A carta pedia ainda, para que “Manuel” confirmasse se estava ou não morto. Insólito?
Estupefacto com o que se estava a passar, pediu à esposa para telefonar para o Centro Nacional de Pensões (CNP). Do outro lado do telefone, informaram-na de que o marido estava dado como falecido nos dados do computador. A esposa referiu que tal era impossível e, na dúvida, a funcionária do CNP pediu para falar com o reformado. Quando percebeu que Manuel não estava morto, disse que, para reaver a reforma atrasada, teria de fazer uma prova de vida. O queixoso recusou-se, visto tê-la feito em Janeiro do corrente ano.
Com o intuito de resolver a situação o quanto antes, Manuel foi ao CNP. Quando chegou faltavam escassos minutos para as 16horas. A funcionária, como bom exemplo de função pública, preparava-se para sair antes da hora, quando foi interpelada pelo casal. A contra-gosto, anotou os dados de Manuel num papel, porque o computador já estava desligado. Informou, ainda, que a reforma referente ao mês de Agosto, seria restituída apenas em Novembro ou Dezembro próximos.
Por considerar esta situação lamentável e injustificável, Manuel denunciou o insólito num programa de televisão.
O CNP esclareceu, ao mesmo programa, que a situação de Manuel ia ser regularizada naquela mesma semana, e não em Novembro, como haviam dito inicialmente.
Não se trata de gosto e contra-gosto, mas sim do poder da comunicação social.
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