Hoje, o Chefe de Estado - Cavaco Silva - foi notícia por ter visitado quatro instituições de solidariedade, com o Natal já a espreitar perto. Apelidou este dia de combate à exclusão social extrema. Uma das instituições contempladas com a visita do Presidente da República foi a Comunidade Vida e Paz, recentemente alvo de uma total falta de humanismo, ao ser vandalizada e assaltada. Esta presta apoio a pessoas com um historial ancorado ao alcoolismo e toxicodependência. As restantes, distinguem-se por prestar cuidados de saúde mental e psiquiatria (Casa de Saúde); acolher e acarinhar crianças que travam luta contra o cancro (Associação Acreditar) e, finalmente, a conquista pela reintegração social e profissional de reclusos e ex-reclusos. Um trabalho levado a cabo pela Associação O Companheiro.

Durante o cumprimento de agenda, Cavaco Silva enalteceu a importância do voluntariado e família em situações desta natureza, para levar a bom porto a integração de pessoas na sociedade que vivem em exclusão social extrema.

A rádio TSF aproveitou o momento para interrogar o Chefe de Estado sobre o facto de Portugal constituir uma das maiores taxas de desemprego da União Europeia. A propósito, o Presidente da República foi lacónico, limitando-se a dizer apenas que é um dado que o preocupa, pode conduzir a algumas situações extremas, mas referiu não querer misturar as situações (o desemprego com a visita às quatro instituições de solidariedade social, dedicando este dia exclusivamente a esta última).

Recorde-se que a Eurostat deu a conhecer em Outubro passado que a taxa de desemprego no nosso país atingiu 8,2 por cento. Embora se tivesse verificado uma melhoria mínima comparativamente com o trimestre anterior, a verdade é que ainda não é o suficiente para arrecadar um sorriso nem respirar de alívio.

Ora, também não é novidade que Portugal é, igualmente, o país da Europa onde se regista uma baixa natalidade. Algo que também está incluído na lista de preocupações de Cavaco Silva que fez saber «um país sem crianças, é um país sem futuro». E nem o incentivo criado pelo Governo para o combate ao decréscimo da natalidade parece ter convencido as famílias portuguesas. O Presidente da República evidenciou esta preocupação numa visita de dois dias, no final de Novembro, ao interior do país, onde a desertificação é ainda mais notória.

No final da acção, Cavaco Silva interrogou-se: «porque é que nascem tão poucas crianças?» ou então «o que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?». Será preciso responder? De certo, não é por falta de entusiasmo, como desabafou «eu não acredito que tenha desaparecido nos portugueses o entusiasmo por trazer novas vidas ao Mundo». Mas se calhar falta entusiasmo por trazer ao Mundo inocentes que vão pagar pela má política e gestão do país, que vão crescer sem perspectivas, num país desacreditado, nu de oportunidades, sem capacidade de resposta, com uma elevada taxa de desemprego, iliteracia, povo demasiado endividado, com parcos recursos e cada vez mais parecido com o Brasil: os pobres cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos.

O que posso admitir é que se calhar Cavaco Silva não entende é por que na família dele não se contribui para o aumento da natalidade, onde, de certo, estão garantidas todas as formas de subsistência! Aqui, a admiração assume maior legitimidade.

Ora, como é possível que admitindo preocupação para com os números que denunciam desemprego, que este pode acarretar consequências gravíssimas por quem passa por situação semelhante, se admire de as famílias portuguesas optarem por não ter filhos! Se custam a sustentar um, garantindo-lhe um futuro minimamente confortável e acessível às oportunidades de que dispõem, como vão sobrecarregar ainda mais o sistema? Com que vontade? E será o incentivo do Governo suficiente? Basta olhar para a Bélgica e perceber quanto recebe cada família com um determinado número de filhos. Já que Portugal prima por querer implementar tudo o que a restante Europa adoptou… O problema é que vai encalhar, mais uma vez, na tal capacidade de resposta que, parece, não existir!


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