Falar bem…mal
Publicado por Liliana Fernandes a 3 Julho 2007 em Está bonito e leva jeito.Conversa para aqui, conversa para ali lá tropeçamos numa ou noutra calinada. De português, de construção frásica, de má colocação do pronome…enfim. Algo que pode acontecer na oralidade, pelo menos com maior frequência. Menos grave quando fica entre os interlocutores e não chega aos ouvidos de milhares de pessoas.
No entanto, este fim-de-semana, num bloco informativo que passou diversas vezes, foi possível ouvir-se “os bombeiros já encontraram um cadáver sem vida”, a propósito da jovem que praticava canoagem, no rio Mondego, que ditou a sua sentença de morte. Trata-se de um enorme pontapé na língua. E não digam que a língua portuguesa é traiçoeira porque tudo depende de quem a emprega e de como o faz. Este erro foi repetido ao longo do dia. Qual editor, qual director, qual jornalista, qual colega… Meteu-se o pé na argola várias vezes sem que alguém se apercebesse e tivesse o brio de proceder à rectificação do off.
A propósito relembro um outro pleonasmo, na altura da queda da ponte de Entre-os-Rios. Após o directo do local, o pivô do telejornal ”agarrou” a emissão, dizendo “ficamos então a saber que prosseguem as buscas subaquáticas debaixo de água”. Acredito que são das tais coisas que podem acontecer, mas não nos podemos esquecer que enquanto os jornais são apenas para quem sabe ler, a televisão chega a (i)literados. Dá para todos os gostos e tem um dever de formação a cumprir. Chega a todos. Já o disse anteriormente e não carece repetir.
Mas, pelo que soube, parece que o jornal Diário de Notícias, no final da década de 60, deu um erro…inqualificável. Numa página falava-se dos colchões molaflex, dizendo maravilhas. Tratava-se de uma publicidade qualquer. A realidade é que os jornais foram vendidos, mas sem o “c” antes do “h”. Não preciso escrever o resultado que causou a ausência daquela letrinha. Nunca um “c” fez tanta falta como na altura. Parece que houve uma limpeza no sector da tipografia, sendo varridos alguns elementos.
Como vêem, é de bom gosto, verticalidade, profissionalismo e interesse de todos que não sacudamos para as costas de uma só pessoa a responsabilidade de rever o quer que seja. Sendo um trabalho de equipa, todos têm esse direito e dever. Desculpar-se com um colega é, além de contra-gosto, tremenda falta de profissionalismo. Mas como digo…é importante que os portugueses conheçam os seus direitos, mas não olvidem os deveres. Estes são igualmente relevantes. Por vezes, acho que não devem saber tanto sobre os direitos. Não sabem usá-los.
Gostei Bastante, continua! Qualquer dia, ainda e a esse ritmo compras uma casa nitidamente Maison com Janelas tipo fenetre !!!
É lamentável, é, mas já há pouca gente que se rale. Ultimamente ando a enervar-me com uma que é a do “aguardar por”, os trabalhadores aguardam por um salário, a tsf aguarda por uma resposta… Esperar por, vale. Aguardar não precisa de mais nada. Histórias antigas, lembro-me de outras nos jornais: “ia o morto a subir a Av.Liberdade”; “Philip exercia as funções de braço direito do pai”; “ontem faltou a luz na Rua Visconde da Mesma”; “quando soaram as doze badaladas das 0 (zero) horas”…. E fecho sempre os olhos, em Dezembro, quando as mercearias anunciam o preço dos bróculos. Num ano, aqui há atrasado, contei 15 versões diferentes da grafia. Broques, bórcus e baroclos foram as minhas favoritas. Baijos e um grande embaraço do ACS