“Metropoligreve”
Publicado por Liliana Fernandes a 9 Janeiro 2007 em Está bonito e leva jeito.Hoje, escrevo-vos não para dar a conhecer qualquer situação, mas para manifestar a minha revolta. No ano transacto, perdemos a conta das greves promovidas pelo Metropolitano de Lisboa. Sabemos que para lutar pelos direitos, alguém sai prejudicado. No caso concreto, a classe mais lesada é a dos utentes.
É certo que colocam à disposição dos passageiros transportes alternativos. Até aqui tudo bem. Todavia, estes transportes alternativos não só demoram muito mais tempo, como contribuem para o atraso das pessoas ao trabalho. A aglomeração de passageiros é notória e enfrentar o trânsito também não é tarefa fácil. A fim de combater este atraso injustificado, muitos há que optam pelo táxi. Despesa assumida pelo utente. Não deveria caber ao metro esta responsabilidade? E por que não enviar a factura para o Metropolitano de Lisboa?
O objectivo dos funcionários do metro era realizar uma greve de zelo. Greve, esta, proibida por lei por Mário Soares. Autor de outras tantas “vantagens” como os recibos verdes ou a lei-off.
Todos compreendiam a greve dos funcionários do metro, mas diz a sabedoria popular que “tudo o que é demais enjoa”. Os utentes saem prejudicados e se a luta recai nas condições salariais, podemos imaginar que estas não são assim tão graves. Com tanta greve, perdem dinheiro, ou não? Se o motivo é o não-pagamento das horas extraordinárias, por que não fazer greve a estas horas? Por que não cumprirem o horário laboral e irem embora?
Estas greves começam a ganhar formas de exagero e despropósito. Esta semana há duas: Terça e Quinta-feiras.
Será impossível ambas as partes chegarem a um acordo? Os utentes pagam passes mensais e os dias de greve não são excluídos do valor! Pagamos um serviço pelo qual não se usufrui na totalidade.
Sejam tão assertivos como em concretizar greves e cheguem a um consenso! Esta greve não atinge directamente e em primeira mão a entidade patronal, mas sim os clientes dos serviços do metro. Clientes, esses, que apoiaram a luta dos funcionários, mas que têm sido os mais prejudicados. Bem se sabe que sem lutar pelos direitos, nada se alcança, mas façam-no sem prejudicar os passageiros. E vocês perguntam: de que forma, então, podem lutar? Mudar de estratégia podia ser uma hipótese, visto nenhuma das greves ter sido benéfica até à data.
Antes de gosto, trata-se de respeito pelos utentes. São estes que ajudam a pagar os ordenados dos que dizem “sim” à greve com o pagamento do passe que não será utilizado nos dias 9 e 11 de Janeiro, no período da manhã.
Os Médicos Cardiologistas dizem que faz bem andar a pé !!! Andem eles e emprestem-nos os carros deles pelo menos nestes dias !!!
APBSS