Chama-se Bruno e é sinónimo de afabilidade. Há 23 anos nasceu com Trissomia 21 e isto é o que o torna diferente dos restantes.  Sempre que conhece alguém, mostra o quanto se sente grato pela atenção que lhe é dispensada. Agradece como sabe…com um doce sorriso. Como pedido, simplesmente um: cantar. Seja feita a sua vontade.

Bruno é portador de uma doença que não pediu licença e que o rotulou de diferente para todo o sempre. Tem dois irmãos, mais novos, que desde cedo fizeram do apoio ao irmão o seu lema de vida. O pai abandonou a família e, de herança, deixou uma dívida que a mãe de Bruno assume até hoje.

Desde os seis anos, que este “rapaz-menino” está em regime de internato, numa Instituição que é a sua casa. Aos fins-de-semana (prolongados ou não) e férias, vai para o refúgio que a mãe encontrou para escapar aos maus-tratos físicos e psicológicos de que era vítima. Há quatro anos, que esta família faz de um parque de campismo o seu verdadeiro lar.

Agora, vêem-se a braços com um drama, que tem os dias contados para começar: a Instituição que acolhe o Bruno vai encerrar o internato no dia 20 do próximo mês. O Bruno vai ser obrigado a regressar todos os dias ao parque que, apesar de a mãe se esforçar por manter as condições mínimas, não é de todo o sítio mais indicado para o receber. A Instituição responsabiliza-se pelo rapaz das 8horas às 15horas, indo buscá-lo e levá-lo à Pontinha. No entanto, a mãe não tem transporte próprio e é incomportável levá-lo àquele sítio (onde tem de estar às 7h10) porque coincide com o seu horário. A somar, sai após as 15horas e a Instituição não assegura transporte até ao parque. Esta mãe, que é o único sustento da família, receia perder o emprego para ter de cuidar do filho.

Marcada por uma força contagiante, esta mãe tem como única preocupação encontrar um sítio onde o Bruno permaneça durante a semana. No período de férias e/ou fins-de-semana prolongados, esta super-mãe é obrigada a recorrer a atestados para cuidar do filho…nem que seja por um dia. Um recurso que já lhe trouxe dissabores no trabalho.

A Instituição não pode prolongar o internato ao Bruno, pois está no limiar da idade permitida. Para o ano, atinge o limite permitido para frequentar a instituição e a mãe, que procura outra há mais de um ano, não vê solução à vista. O que me choca e até revolta é pensar: estas pessoas só são deficientes até aos 24 anos? Deixam de ter direito a uma permanência num sítio próprio para si porque têm 24 anos? Quer dizer: nascem com uma deficiência que, perante a lei, só lhes garante “regalias” até aos 24 anos…e depois?

Nem gosto, nem contra-gosto…”in”…tudo!


2 Responses to “Stop, já tem 24 anos!”

  1. 1 Carlos Gouveia

    É cada vez com mais vergonha que me considero português! Construam-se estádios de futebol milionários, aeroportos talvez não tão necessários como isso e, paguem-se ordenados e reformas de luxo aos nossos ministros. Os ricos cada vez mais ricos e os pobres, esses continuam a pagar que nem ricos e a perder os seus direitos à saude e educação a que têm direito por pagarem os seus impostos.
    Quem merece apoio é quem menos o tem. Vivam as super mães.
    Toda a força para o Bruno e para essa super, super mãe!

  2. 2 APBSS

    Quanto Mais conheço os Humanos mais gosto dos animais!
    Aos falsos Filantropos, aos Cristãos encobertos e imbuidos do espirito de amar o próximo aparente , Dignem-se, dignamo-nos todos juntos em ajudar esses Meninos, esses Adultos esses Velhotes que sofrem não só de Mongloidismo como daqueles que ou nasceram sem luxos como aos que ainda os tiveram e os perderam, por acção própria ou não, mas se a Sociedade fosse menos Egoista e todos mas todos Nós ajudasse mos um pouco seria suficiente para Lavar-mos a cara pois a infelicidade pode não ser totalmente ultrapassavel mas pode ser atenuada, dignificar-mo-nos dignificando dando aos outros de livre coração o q podemos; 1 simples Obrigado ou um sorriso é suficiente e se nem isso tivermos, viver mos com a consciência q cada vez somos mais Humanos e menos «Produtos sociais». APBSS

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