Descontrolado, mas vivo

Há poucos dias o país tomou conhecimento do caso de Ana Margarida e Susana. Duas menores, de 15 e 11 anos, preparavam-se para mudar de casa com os pais, quando um veículo descontrolado desviou o rumo de suas vidas.

Ambas estavam no passeio, a brincar, quando um condutor totalmente desgovernado mata, de imediato, os seus pais. Descarregavam coisas do carro para levarem para a nova casa.

Além de trágico é contra-natura e até contra o senso comum. Ninguém deseja assistir, na primeira fila, à morte de um ente querido. Muito menos sendo os filhos a verem os pais partir, ou antes, verem a vida a ser-lhes roubada. Os pais foram esmagados diante dos olhares aflitivos das crianças, que nada puderam fazer.

Infelizmente, nestas ocasiões pensamos o quão frágil é a natureza humana. O quão rápido se tira a vida de alguém, fazendo-nos pensar na nossa condição de simples mortais. Para nós, os nossos pais são eternos, imortais, nunca imaginando a nossa vida sem eles. A história destas duas meninas é o emblema de que, na realidade, o ciclo da vida termina e basta um minuto para que uma família se destroce.

Agora, impera a necessidade de tutela das crianças, que, para já, estão aos cuidados de familiares, embora em casas distintas. Este processo por mais inevitável que seja, vai abrir ainda mais a ferida, porque inevitavelmente vai recordar o motivo de tal processo.

Por enquanto, o condutor Carlos Oliveira- de acordo com testemunhas tentou a fuga - aguarda os resultados das análises de alcoolemia. Qualquer que seja o desfecho deste homem, a verdade é que nada devolverá a alegria daquelas crianças, que, nem tão cedo, apagarão da memória tamanha cena nefasta. Qualquer que seja a sentença, nada minimiza este sofrimento, sendo sempre mínima para o que Carlos Oliveira provocou. O quer que lhe aconteça, ele continuará vivo e a ver aqueles que ama.

Nem gosto, nem contra-gosto. Apenas, aguarda-se uma decisão “justa”!


1 Response to “Descontrolado, mas vivo”

  1. 1 Anonymous

    Certamente continuará vivo por mais uns anos. Não se apaga um erro destes, nem «Justiça» alguma trará de volta os Pais das meninas, justiça na acepção da palavra nunca haverá mas se a consciência deste tipo pesar todos os dias o q ele fez será apenas uma gota no Oceano e saberá sempre a pouco!APBSS

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