É o país que temos

Portugal parece o verdadeiro Entroncamento - terra dos fenómenos. Senão, vejamos: quando se termina qualquer licenciatura, somos obrigados a pagar uma exorbitância para obter o diploma de curso. O pagamento é efectuado no acto do pedido. A entrega do dito diploma é que não é tão célere. Os funcionários avisam que demora cerca de dois anos a estar pronto. Lamentamos. Ostentamos um certo orgulho num mero papel que apenas testemunha o trabalho de anos. Há empregos que nos pedem esse documento, mas depressa é substituído pelo certificado de habilitações. Percebem, também eles, que não se trata de um papel qualquer. Afinal, são precisos dois anos…

O tempo passa. Preocupamo-nos em arranjar o primeiro trabalho. Sim, trabalho! Os empregos para a vida, terminaram! Foram há muito tempo. Desengane-se quem acalentava essa esperança. Que os raros, se conservem. Enfim, com o empenho numa nova etapa de vida, o diploma deixa de ganhar importância. O tempo urge.

Num dia de afazeres dosmésticos, arrumamos as gavetas e deparamo-nos com um recibo de pagamento superior a 100 euros. Lembramo-nos: é do diploma. Por razões várias, pedimos a alguém que nos faça o favor de o ir buscar. A falta de tempo é cada vez mais uma realidade.

Nos serviços académicos da faculdade onde nos formámos, dizem que já está pronto, mas teremos de aguardar mais dois a três meses para que seja assinado pelo responsável pelos mesmos serviços! Que terá essa assinatura de especial? É a ouro? Que características terá? Que ciência extraordinária está intrínseca ao acto de pegar numa caneta e fazer umr rabisco, na maioria dos casos, ilegível? De repente, percebo, mais uma vez, que vivemos no país da burocracia. Portanto, o que deveria espantar-me era estar tudo pronto, incluindo a assinatura. E não, falta algo. Assim, não tenho por que me admirar.

Nem gosto nem contra-gosto, o espelho de como (não) funcionam os nossos serviços.


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