Estaremos mesmo casados?
Publicado por Liliana Fernandes a 27 Junho 2007 em Insólitos.Esta é a questão que mais deve pairar em Areias, numa aldeia no norte do país. De certo, a mesma dúvida que subsiste entre aqueles que têm acompanhado o caso do falso padre. Católicos (praticantes) ou não. No fundo, foram várias as pessoas que procuraram a bênção divina para um casamento que, agora, corre o risco de não ter alguma legitimidade. Tudo porque estavam perante um falso padre. Não condeno. Creio que em momento algum passou pela cabeça de um qualquer pobre paroquiano que a pessoa que se apresentava como um homem da Igreja, durante anos, afinal não passava de um burlão.
As dúvidas surgem em catadupa. Como ficam todas as pessoas que acreditaram nas palavras proferidas por aquele homem que, além de ter abusado da boa fé, praticou por largos anos a má fé? Será necessário repetir as cerimónias “abençoadas” pelo falso sacerdote? Vai na volta, muitos já estão divorciados. Tinha a sua graça. Amén. Para quem domina a linguagem religiosa, resta uma esperança: que o “padre” nunca tenha celebrado missas em funerais e/ou ter o topete de dar a extremunção, pois esta é uma situação irreversível.
Como a mentira tem perna curta e mesmo assim esta cresceu durante alguns anos… O falso padre foi detido durante um baptizado, deixando a criancinha pendurada na pia baptismal. Oiço dizer: “ao menos deixavam a cerimónia chegar ao fim”. Riposto: mas para quê se se tratava de um falso sacerdote, sem qualquer legitimidade para a realização das cerimónias? Não percebem que não têm valor aos olhos da lei da Igreja, de Deus? Até pode ser pecado insistir num cenário falacioso! Amén. Assim, foi detido a praticar o crime. A somar, ainda pedia quantias avultadas às “ovelhas”, que, crédulas, emprestavam. “É o sr. padre…”, deviam dizer. Nem vou tecer comentários a respeito. Reservo-me o direito de não dar a conhecer o que penso a respeito da classe.
Mas ainda bem que o falsário foi detido pelas autoridades. Caso contrário, acho que a justiça teria sido feita pelos populares que ficam cegos nestas alturas, sobretudo quando se sentem enganados; mais, ultrajados.
Enfim, o melhor é terem cuidado com celebrações que envolvam muita gente. Este baptizado serviu de palco à detenção de um burlão; num casamento a noiva matou uma convidada à pancada, imagine-se! No convite devia dizer que era para um casamento, mas na realidade…as pessoas assistiram no camarote a uma cena de homicídio. O motivo desconheço: sei que ambas se desentenderam. A convidada jogou o bolo de noiva pela janela, servindo de mote a uma verdadeira tragédia.
Gosto de não frequentar Igrejas e evitar sítios com muito povo. Olha no que dá…! Porquê? Não digo!
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