Um exemplo do que não se deve fazer
Publicado por Liliana Fernandes a 24 Outubro 2006 em Insólitos.Imagine candidatar-se a um determinado curso, saber que foi admitido, pagar a propina e impresso de matrícula e ficar a saber que, afinal, o curso que escolheu ainda não existe? Estranho, não? Mas acontece, ou antes, aconteceu-me.
Em Setembro, candidatei-me ao Mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais, fiz a inscrição junto de funcionários, entreguei os papéis e aguardei, ansiosa, a saída de resultados.
Após tanta demora (como já mencionei no artigo “Tanto tempo por uma simples rubrica?”), soube que tinha sido admitida. Ia, finalmente, matricular-me.
Ausentei-me do trabalho (a pensar que seria por pouco tempo) e, quando cheguei à Universidade, a funcionária deu-me o número de aluno e, com ele, dirigi-me à tesouraria para comprar o impresso de matrícula (20euros) e pagar a propina, no valor de 400euros.
Ultrapassada a barreira burocrática, preenchi o impresso. Feliz, registei o nome do curso e preparava-me para assinalar como grau académico do curso o de mestrado. O funcionário interpelou-me. Disse-me que a cruz deveria ser feita em Pós-graduação e não Mestrado. Admirada, disse que deveria estar a haver algum equívovo, visto nunca me ter candidatado a tal. Foi então quando me disseram que o Mestrado ainda não tinha aprovação do Minsitério do Ensino Superior, estando garantida, para já, a Pós-graduação. Ripostei, incrédula do que me estava a acontecer e alegando nunca ter sido informada de tal. Eis quando o senhor se defende, dizendo que eu não coloquei nenhuma questão e que aquela informação estava na Internet. Expliquei-lhe que não posso colocar uma questão de algo que desconheço na totalidade (não sabia que havia a eminência de não haver Mestrado) e não sou obrigada a ter ou aceder à Internet. Telefonei e dirigi-me à universidade diversas vezes e tal nunca me foi transmitido. Para juntar ao cúmulo da defesa inicial, o funcionário disse que não podia dar a mesma informação, com o mesmo rigor, a 1 500 pessoas! Inacreditável! Ainda mais estupefacta, respondi que não só podiam como deviam dar essa informação, pois o aluno não é culpado. Disse-me que se não houver Mestrado, ficaria com um certificado de Pós-graduação. Retorqui, dizendo que já tenho uma Pós-graduação e o que sempre pretendi foi a frequência num Mestrado. Em suma, iria pagar dois semestres que não me davam acesso ao que realmento pretendo, de forma a progredir.
Fiz um requerimento de pedido de reembolso e aguardo que a faculade tenha uma atitude de bom senso e profissionalismo.
Tratar-se-á de gosto e contra-gosto ou mais uma prova de como as faculdades pretendem ganhar dinheiro de forma ilícita, fácil e rápida?
Realmente, este país…