Sintonia das palavras
Sonho…Estás refém de mim!
Estás preso ao tom da minha pele,
Aos contornos do meu corpo,
Aos meus seios lisos e firmes,
Aos beijos doces e suaves,
Aos meus lábios desenhados,
Ao brilho do meu olhar,
À sinceridade do meu sorriso,
À sonoridade do meu riso,
À genuinidade da maneira de ser,
Às expressões de menina,
À espontaneidade dos gestos,
À rapidez do raciocínio,
Ao feitio difícil e determinado,
À inteligência e à cultura,
À firmeza de personalidade,
À teimosia exagerada,
Ao que sinto por ti e à
Felicidade que dei à tua vida.
O teu cativeiro é o meu coração;
O único lugar certo de onde não
Fugirás de mim; perto da vontade
De te ter e com a certeza de que
Aqui és só meu. Estás condenado
A “minha” prisão perpétua e cedo-te
A cela real: a minha vida. Alimento-te
Com o meu amor, acicatando-te com
Gestos que te fazem uivar de prazer.
Enfim… vou continuar a dormir. Todas as horas do dia,
Todos os dias do ano. Vou ficar a sonhar
Contigo, enroscada no único sítio
Onde te posso ter: a minha cama; no
Único estado em que és meu: o sono.
Não me importo que transcrevas para
O meu corpo incauto a experiência dos teus gestos.
Importava-me, sim, que partisses.
Que pintasses de preto a cor que deste à minha vida.
Que ofuscasses o brilho do meu sorriso.
Que te desviasses do sentido do meu olhar.
Que fugisses do meu abraço.
Que arrefecesses o calor que me provocas.
Que me impedisses de atracar na minha marina, que és tu.
Que te procurasse e não te encontrasse.
Que esperasse que o teu corpo, vergado ao meu,
O cumprimentasse, com beijos leves,
Suaves, que, à medida que se soltam,
Transformam a textura da minha pele
Em pêlos eriçados, arrepiados; e não aparecesses.
Magoava-me, sim, se deixasses de me provocar
Uma sede insaciável por te ver,
Ouvir, tocar, sentir, provar.
Uma vontade que caminha a par
Do ritmo com que me vais desnudando,
Espalhando as minhas (e tuas) roupas
Por um sítio qualquer que se torna cúmplice.
Desiludia-me se os meus seios, à medida da tua mão,
Não endurecessem, gritantes pelo toque dos teus dedos.
Morria, se passasse a desconhecer o sabor dos teus beijos.
Se deixasse de misturar a tua saliva com a minha.
Se me agoniasse com o teu cheiro.
Se desaprendesse os passos da nossa dança.
Se desafinasse nos sons expulsos pelas nossas gargantas.
Se os meus olhos não procurassem os teus
No momento em que as nossas mãos se pegam,
Tu me penetras, os abdominais se contraem,
Os músculos se apertam, os nossos sexos se encaixam,
Prontos para se desprenderem só com a visita da alvorada
Que de manso chega e denuncia os horários a cumprir…
E nós, entranhados um no outro,
Nem nos apercebemos que a noite foi curta, ingrata,
Para acolher o desfile de sentidos.
Ontem, fui à praia de noite.
Ouvi o respirar da lua, ensurdeci
Com o rugir das ondas, envolvi-me
Com a areia gelada e o vento soprou
Meigo no meu pescoço. Arrepiou-me e
Invejou a acalmia dos teus beijos.
Disse-lhe, quisera eu sentir-te aqui e agora.
Ameacei-o se te afastasse de mim, se soprasse
A sombra das tuas lembranças para além
De um toque de pestanas. Não se tranquilizou.
Enfureci-o e, ciumento, ralhou com os meus caracóis
Que te reclamavam ferozmente. Enrosquei-me
No casaco que teimava em substituir-te. Pintei
Na lua o teu rosto, calquei na areia o teu nome - que me sorriu -
Repeti-o até o meu coração sangrar de tanto te gritar.
Ao lado do teu escrevi o meu. Talvez assim, pelo menos ali,
Quisesse o destino ver-nos juntos. Como a sede de um rio
Em busca da foz, o mar correu na minha direcção
E levou-os de mãos dadas. Para onde…não sei.
Mas sei que nem a fúria de uma mãe em defesa da cria
Te arrancam de mim. Pelo menos, do meu coração.
Disseram-me que o paraíso não existe. Mentiram-me!
Dormi com ele uma noite inteira.
Tem o teu nome. Os traços do teu rosto e a doçura do teu olhar.
Nele depositei o desejo de te devorar até te desfazeres
Em gemidos delatores de prazer. O nosso prazer.
Aquele que encaixa na perfeição. Aquele que abre caminho
Para que as tuas mãos se percam no meu corpo e fintem as minhas curvas;
A boca pelo meu pescoço, contorcendo-me em arrepios de deleite…
Um desejo que se ergue à medida que os teus
Lábios carimbam a minha pele de beijos suaves,
Percorrem cada um dos meus recantos até sentir
O espasmo de prazer que toma conta dos nossos corpos.
Um desejo que se espelha ao olhar nos teus olhos
Quando, lentamente e contrariando toda a fúria que nos envolve,
Me penetras, apertas-me as mãos, entrelaçando-nos ainda mais (como se fosse possível)
E eu deixo-me levar pela música dos sons que juntos vamos compondo.
No paraíso, dizem, realizam-se desejos;
E porque tu és o meu paraíso, pergunto:
Concedes-me o desejo de mergulhar na tua boca,
Navegar no mel a que sabe a tua saliva,
Misturar as nossas línguas, os nossos sabores,
Gemer no teu ouvido, sentir os teus movimentos suaves -
Que ora aumentam num ritmo crescente de volúpia -
Envolvendo os nossos corpos suados, bocas secas…olhar brilhante?
Os meus olhos ficam enevoados pela
Lágrima presa na teia das pestanas.
Humedece-me o olhar, descobre o meu verde
E abafa o brilho que me despertas.
Em vão, tento secá-la com
O sorriso que me rasgas.
Quando penso o quão longe estás,
Que braços te enroscam,
Que calor te aquece, que beijos
Te cobrem e em que lençóis te envolves…
Que estás muito além do que desejo:
A um simples toque da minha vontade…
As pestanas tocam-se, namoram-se
E soltam a lágrima que apaga
O sorriso e me percorre o rosto,
Desaguando nos meus lábios;
Antes húmidos pelo deslizar da tua língua.
O cristal da minha lágrima, desenfreada,
Reflecte a dor que ostento e me consome,
Em busca do meu porto de abrigo: a tua marina.
Depara-se com um oceano vazio, finta-o, e mergulha
Apenas nas recordações que te exigem.
A minha lágrima segue-te sem saber
Por e para onde navegam as tuas águas.
A minha lágrima é o fruto salgado de um sofrimento
Recheada pelo doce desejo que te deposito. É a plena
Vontade de saber para onde empurras o teu destino
E se ele caminha de mão dada com o meu.
Sem bússola, renasço de um mar revolto e
Reencontro-me no farol do teu olhar.
Enleio-me na seiva que te percorre o corpo
E é lá que desaguo o meu desejo, traduzido na
Saliva que te polvilha de gotas de mel.
Entrelaço-me nas lembranças
Que desaguam na vontade de te
Ter enroscado nos meus braços.
Uma vontade de que fico refém;
Uma vontade que rasga pudores,
Se despe de preconceitos e é
Célere no teu encontro.
Uma vontade que implora que
Sorvas o suor que, em gotas de mel,
Espelha o desejo que os teus olham me lançam.
Uma vontade que nem sente a
Sombra de te ter perto.
Uma vontade esmagada
Pela tua ausência.
Uma vontade que grita em surdina,
Traduzida em gestos que choram
Por te querer e não te ter.
Indescritível é o
Gozo
Unico que
Ambos
Libertamos no
Momento em que nos
Enleamos,
Nos
Tocamos
Enfurecidamente.
Os meus seios içam ao
Ritmo que o teu sexo cresce.
Calas a sede de te querer, penetrando-me.
Encetas uma avalanche de sentires e,
Juntos, compomos o hino do desejo.
Enquanto a tua respiração ofegante delata
Prazeres inconfessáveis, sussurrando
No meu ouvido, eu deslizo poemas
De saliva no rascunho do teu corpo.
O significado do verbo que inspiras
Traduz a língua dos teus gestos
Em convulsões de sentidos.
Poemas que se refugiam no perfume da tua pele;
Poemas cunhados no altar do teu corpo, ostentando-o;
Poemas que confessam intenções de “pecado”;
Poemas que invocam a linguagem do desejo;
Poemas que testemunham a fúria de te sentir;
Poemas que falam a língua do meu beijo…sem tradução!
Inspiras-me! O meu corpo treme
Só de pressentir a tua lembrança.
Quero-te agora, neste minuto… Parar
O tempo e ensurdecer o mundo com
A voz dos nossos gemidos.
Quero as tuas mãos a procurarem-me,
Passearem-me numa fúria sem limites,
Que rasga caminho à vontade de nos amarmos.
Quero sentir o teu sexo penetrar no meu,
Enquanto os nossos olhares se fixam, amando-se.
Quero a tua língua a refrescar o meu corpo e os
Meus seios que se erguem ao deslizar do teu toque.
Quero que desvendes os meus segredos,
Sacies o meu desejo, que me embales ao
Compasso das tuas vontades e que
O teu olhar espelhe a bravura do
Nosso orgasmo sentido a uma só voz.
Senti-te ou sonhei?
Ouvi o som das emoções.
Escutei o teu desejo… À medida
Que me desnudavas, compúnhamos
O verbo que nos cobre.
Vi a sede com que me devoravas,
Respirei o cheiro com que perfumavas a minha pele.
Saboreei a sofreguidão com que me amavas.
Toquei no teu sexo sequioso do meu;
Degustei-o e deixei-me embalar
No sonho de te ter dentro de mim!