Sintonia das palavras



“Sei-os”

A tua lembrança roça-me.
Descobre o meu sorriso, que
Se rasga quando te recorda.
Desnudas-me com a pujança do teu olhar.
Não me resto quando me
Perco no toque que os teus
Dedos vincam no mapa do meu corpo.
Desvendas sentires. Despes sentimentos.
Penetras o teu olhar no
Desejo que o meu brota por ti.
Chama por ti. Clama pelo teu corpo.
Anseio que os teus braços me acordem.
Que os teus beijos desinquietem os meus seios
Que se erguem ao pressentir o teu cheiro.
As tuas mãos deixam-os cheios, firmes
Quando elas os beijam despercebidamente.
A suavidade dos teus dedos perfuma-os,
Apertando-os e saciando o desejo desperto.
A tua língua soletra vontade, saboreia-os,
Humedece-os, eriça-os, dá-lhes forma e eles
Vestem as tuas mãos que neles se encaixam;
Afaga-os com doçura, brinca com eles…que são teus.

Desnorteias-me!

Perdi o norte quando a tua língua
Segredou com o meu sexo húmido.
Confidenciou-lhe as saudades do meu sabor.
O teu sexo endurecido e nervoso beijou
O meu lenta e profundamente. Dançou,
Roçou e deslizou na concupiscência que libertávamos.
O tempo avançava ao ritmo dos uivos de prazer
E a lua resplandecia com o fixar do nosso olhar.
O meu corpo vestiu-se das tuas mãos, língua,
Boca que lhe tocavam, sorriam e lambiam,
Degustando todos os seus relevos num desejo
Desmesurado onde me perco descontrolada.
Sinto o que me percorre, suga os
Brandos soltos que me provocas e
Deslizam pelas minhas pernas trémulas.
E tudo…enquanto em mim o sol brotava e
Pingava em ti a alvorada.

Ama-me!

Reacendeste o que parecia inerte.
Senti-te mais do que a tua fúria deixou transparecer.
Percebi que te afastar de mim é abrir
Caminho à infelicidade de que me proteges.
Deliciei-me com o tactear das tuas mãos
Gulosas, ansiosas, apressadas que
Denunciam sofreguidão e curiosidade.
Connosco não há pressa; apenas vontade,
Ânsia, desejos que expulsaram o espreitar da vergonha
E segredaram que o que nos une é
Tão mais forte do que as “regras” podem ditar.
Apenas quereres, sentires, paixões,
Emoções, afectos e amor.
O silêncio quebra-se com o gemer da tua voz,
Com a sede da tua boca que se cala ao sorrir
Nos meus beijos molhados; com a tua língua
Aflita que me saboreia pelas linhas do meu corpo
E inunda-me com o mel da tua saliva.
Ensurdeço com os gemidos de prazer que
O teu corpo ecoa e se mistura ao suor do meu
Que por te amar transpira arrepios quentes
E abraçados num só corpo: nós.

Contigo sinto-me

A musicalidade dos teus gestos compõe
Os sonhos paridos do prazer que me acendes.
Contigo sinto sempre que cada vez é a primeira
Do verbo que conjugamos num só gemido.
Contigo sinto-me única, desejada, amada…especial.
Sinto-me “a” por tudo o que tem o cunho do teu sabor:
Pelo cheiro que me espalhas; pelo olhar que me lanças;
Pela ferocidade com que me degustas; pelas palavras que me soletras;
Pela erecção dos meus sentires e por ti dentro de mim.

Sinto que o fim está perto e
Nada fazes para impedir.
Ao contrário, insistes em manter-me
Co-autora de uma história que não quero escrever.
Aspiro a actriz principal quando não vou além da secundária.
O sentimento que me assaltou e
Te encetou novas sensações empurra-me
Para um palco onde sou tudo menos eu.

Caminha, mas comigo

Sinto-te a seguir um caminho contrário ao meu.
Um caminho que te afasta cada vez mais da minha rota,
Mantendo longínqua a vontade de te ter.
Amar-te, para ti não chega.
Oiço os passos de um adeus eterno ao mesmo tempo
Que o sal das lágrimas que humedecem o meu rosto,
Queimam o doce das palavras que trocámos.
Gestos que se calam. Sentimento que emudece.
Saudades que brotam do passado.
Mágoa por saber que a escolha de não me teres
Na tua vida é alheia à vontade do meu querer.

Tu

Gosto de ti porque te sinto;
Sinto-te porque te amo;
Amo-te porque és tu…
Tu és tudo o que eu sinto, gosto e amo!

Tentei esquecer-te no tempo que
Superou a dor da tua ausência.
Um tempo que o fósforo demorou a arder
E cismou em manter acesa a sentença de te amar.
Agora, com o teu olhar a cantar novamente “amo-te!”,
Reencontrei o sabor do meu coração. Ele já não sabe
A cinzas; a minha garganta já não está endurecida
E fatigada de tanto que chorei…
No tempo que o fósforo demorou a arder.

Pedaços teus

A imagem do teu rosto ruiu.
Agora, são pedaços de tudo que ganham
Vida quando peço licença para te lembrar.
Lembranças que provocam
Erecção de sentires;
Acendem o brilho do teu
Olhar a chamar por mim;
Dão voz aos teus gemidos mudos
Que compõem sons de desejos;
Soletram cada vontade involuntária de te querer
E vestem o dia de noite para te receber…
Para penetrar no teu cheiro
Que ilumina a minha alma perdida,
Tacteando no escuro apenas guiada
Pela lembrança de os caminhos de outrora.
Caminhos traçados pela emergência de nos querermos;
Encetados pela vontade de nos sentirmos e
Paridos pela necessidade de nos amarmos.

Ama-me!

 

 

 

Chega-te! Aninha-te a mim!
Desvenda o meu desejo.
Cala a minha sede.
Acalma o meu corpo.
Aquieta os meus lábios.
Apaga o meu ardor.
Descobre os meus anseios.
Atiça os meus sentires.
Agita a minha paixão.
Seduz o meu olhar.
Guia as minhas mãos.
Explora os gemidos de prazer.
Envolve-te no cheiro a volúpia.
Escorrega no suor que libertamos.
Passeia-me com a tua língua molhada.
Silencia-me com os teus beijos.
Cobre-me de carícias.
Embala-me em movimentos suaves.
Desliza no lume do nosso amor.
Abre caminho por entre as minhas pernas.
Encaixa o teu sexo duro no meu húmido.
Mergulha na avalanche de sensações.
Penetra na imensidão de sentires.
Sente o meu toque a namorar a tua pele.
Devora-me até à exaustão.
Ouve o sussurro da impetuosidade.
Repousemos num orgasmo profundo.
Arranha-me a alma de desejo.
Agarra a realidade que nos une.
Voa ao ritmo do meu sorriso.
Espelha a bravura do que sentimos e
Grita que comigo és “feliz”.