Ama-me!

Reacendeste o que parecia inerte.
Senti-te mais do que a tua fúria deixou transparecer.
Percebi que te afastar de mim é abrir
Caminho à infelicidade de que me proteges.
Deliciei-me com o tactear das tuas mãos
Gulosas, ansiosas, apressadas que
Denunciam sofreguidão e curiosidade.
Connosco não há pressa; apenas vontade,
Ânsia, desejos que expulsaram o espreitar da vergonha
E segredaram que o que nos une é
Tão mais forte do que as “regras” podem ditar.
Apenas quereres, sentires, paixões,
Emoções, afectos e amor.
O silêncio quebra-se com o gemer da tua voz,
Com a sede da tua boca que se cala ao sorrir
Nos meus beijos molhados; com a tua língua
Aflita que me saboreia pelas linhas do meu corpo
E inunda-me com o mel da tua saliva.
Ensurdeço com os gemidos de prazer que
O teu corpo ecoa e se mistura ao suor do meu
Que por te amar transpira arrepios quentes
E abraçados num só corpo: nós.


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