Filosofia de ti

Faço deste amor o lema a seguir,
A causa a defender
E a bandeira a erguer.
Amar-te é o meu juramento.
Protejo-o com a mesma garra
Com que uma mãe defende a cria,
Como a acolhe das tempestades súbitas,
Das maldades mascaradas de ternura,
Das violências disfarçadas de mimos,
Dos sorrisos que lentamente nos mordem,
Ensinando-lhe que o mundo tem espinhos
Que ferem à distância de um relance.
Quero-te perto de mim! Sinto a tua
Lembrança regar-me de sede de ti;
Sinto o meu corpo transpirar de prazer, quando
Levitas o teu toque, contornando-me de sentires.
Domada pela bravura de te querer, torno-me
Aquiescente das sensações que me semeias e
Entrego-me à firmeza com que os teus lábios,
Docemente, se vestem dos meus.
Cerro os olhos para não fugires de mim,
Aperto a mão para guardar o teu cheiro,
Repouso o meu coração na vontade de te devorar,
Refugio-me no teu perfume, que me penetra,
Enrosco-me no sabor com que pintaste a minha boca,
Enrolo-me no rasto do aroma da lascívia que libertas,
Esbanjo brilho com o sorriso que me desenhaste
E desejo-te ao ritmo dos gemidos
Paridos pela música do teu olhar.

Gemidos ancorados ao prazer que
Espalhas no mapa do meu corpo
Desnudado pela vontade de te sentir.

 


1 Response to “Filosofia de ti”

  1. 1 Sobre um anão

    Quem nunca perdeu um encontro,
    Não sabe que o desencontro, tangente ou distante,
    É um ponto, na névoa, que vai desaparecendo,
    Mas não se extingue enquanto teimarmos em vê-lo brilhante.

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