Já não sei…

O nosso amor sopra desafinado.
O nosso hino implora por palavras
Que desnudem segredos inconfessáveis e
Sussurrem que sem mim não és feliz.
O meu coração deambula à procura do teu;
Segue o rasto da saudade e regressa ausente
De ti, com sede do teu aconchego.
Em mim não me resto. Fui assaltada por uma amnésia de sentires.
Já não sei o que é sentir-te. Já não sei o que
Sinto com o sonhar do teu toque a percorrer-me.
Já não sei o que é estar embriagada
Com o sussurro dos teus beijos e
Extasiada com as pernas trémulas de prazer.
Mas sei que a saudade partiu para te encontrar
E nem com o cheiro do teu sorriso se cruzou.
Por onde andas? Porque não estás?
As asas do meu desejo – indiferentes à
Ausência do teu reflexo – batem por ti com
A mesma intensidade com que a
Água rebenta e namora nas rochas;
Mas fraquejam quando te procuram e encontram nada.
O vento empurra-as em vão. Calam-se magoadas por não te terem
Arrancado e trazido até ao êxtase do nosso ninho.


2 Responses to “Já não sei…”

  1. 1 Carmen Correia

    Sem dúvida… devias publicar isto!!!! Estão óptimos… mesmo… É uma poesia que nos toca, que nos emociona e nos questiona. Mexe connosco. São de fácil leitura. Tenho a certeza que terias muito sucesso!

  2. 2 Bruno

    Gostava de te falar sobre o amor
    Daquele modo tão sensual e táctil
    Tal como o descreves na tua poesia feminina,
    Na poesia presa a um corpo,
    Poesia presa aos “ais” de uma mulher…
    Poesia que se desfaz como um rasto de fumo
    Poesia tão efémera como um suspiro de amor.
    Poesia tão eficaz ao mesmo tempo…

    Mas o que escrevo costuma ser mais cru.
    E para te dizer que te amo,
    Basta dizer quero-te,
    Que para mim são sinónimos,
    E excluem-se assim perífrases
    Que fazem a menina suspirar…

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