Lágrima

Os meus olhos ficam enevoados pela
Lágrima presa na teia das pestanas.
Humedece-me o olhar, descobre o meu verde
E abafa o brilho que me despertas.
Em vão, tento secá-la com
O sorriso que me rasgas.
Quando penso o quão longe estás,
Que braços te enroscam,
Que calor te aquece, que beijos
Te cobrem e em que lençóis te envolves…
Que estás muito além do que desejo:
A um simples toque da minha vontade…
As pestanas tocam-se, namoram-se
E soltam a lágrima que apaga
O sorriso e me percorre o rosto,
Desaguando nos meus lábios;
Antes húmidos pelo deslizar da tua língua.
O cristal da minha lágrima, desenfreada,
Reflecte a dor que ostento e me consome,
Em busca do meu porto de abrigo: a tua marina.
Depara-se com um oceano vazio, finta-o, e mergulha
Apenas nas recordações que te exigem.
A minha lágrima segue-te sem saber
Por e para onde navegam as tuas águas.
A minha lágrima é o fruto salgado de um sofrimento
Recheada pelo doce desejo que te deposito. É a plena
Vontade de saber para onde empurras o teu destino
E se ele caminha de mão dada com o meu.
Sem bússola, renasço de um mar revolto e
Reencontro-me no farol do teu olhar.
Enleio-me na seiva que te percorre o corpo
E é lá que desaguo o meu desejo, traduzido na
Saliva que te polvilha de gotas de mel.


1 Response to “Lágrima”

  1. 1 GiGoDeniz

    hi

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