Naquela noite…faltavas-me!


Naquela noite…
Faltavas-me para me desejares
Sob o olhar atento da lua.
Faltavas-me para me despires
Ao ritmo do teu desejo.
Faltavas-me para me beijares
Enquanto o mar sussurrava os nossos nomes.
Faltavas-me para tornares doce
O sal das ondas que se atropelavam em nós –
As mesmas ondas que secavam com o calor do nosso desejo.
Faltavas-me para que a pertinaz luz da lua
Se ofuscasse com o brilho do nosso amor.
Faltavas-me para que os teus olhos
Procurassem os meus, repletos de sentires.
Faltavas-me para que as tuas mãos
Esculpissem o meu corpo.
Faltavas-me para que a tua língua
Pincelasse os meus seios, humedecendo-os.
Faltavas-me para que o teu sexo
Se aninhasse no meu, despertando sensações.
Faltavas-me para que os teus lábios
Segredassem nos meus, sequiosos dos teus.
Faltavas-me para acetinar a areia
Enquanto gemia de prazer.
Faltavas-me para calares o mar
Que se silenciava quando em ti pensava.
Faltavas-me para sentir a suavidade do teu corpo
Que ansiava pelo meu, desesperadamente.
Faltavas-me para aqueceres os beijos
Que o vento me dava em teu nome.
Faltavas-me para fazeres daquela mágica noite
O real dos meus sentires, que teimavam em pulsar
Ao compasso do nosso desejo.
Faltavas-me para balançares o teu corpo no meu,
Em movimentos que imitavam o “vai vem” das ondas.
Faltavas-me para transformares a maresia,
Que descaradamente nos via amar,
Em cheiro de deleite, de volúpia.
Faltavas-me para tornares mudo o barulho do mar,
Que se resignava ao som do nosso prazer.
Faltavas-me para que os teus dedos me desenhassem,
Reflectindo o teu sentir.
Faltavas-me para que à luz da noite
Soletrasse a palavra que teima estar ancorada a ti: amor!
Faltavas-me para que o sopro do vento
Me confidenciasse o que sentes.
Faltavas-me para transformares o sossego da noite
Em harmonia de sons desconcertantes.
Faltavas-me para que o vento e o mar
Testemunhassem a realidade da nossa paixão.
Faltavas-me para que os teus gemidos espelhassem
Os teus sentires, encaixando-se nos meus.
Faltavas-me para que diante do que sentimos
O mundo pareça pequeno e insignificante.
Faltavas-me para que ao fechar os olhos,
Escutasse o que a noite murmurava.
Faltavas-me para que a rebeldia dos meus caracóis
Se acalmasse ao passar do teu toque.
Faltavas-me para que o teu abraço
Vestisse o meu corpo nu.
Faltavas-me para fazer dos teus braços
O meu porto seguro.
Faltavas-me para fazeres das tuas palavras
O eco do nosso amor.
Faltavas-me para que a delicadeza da tua voz,
Fosse o hino do nosso sentimento.
Faltavas-me para segurares nas minhas mãos
Enquanto os nossos olhos se fixam,
Traduzindo sensações.
Faltavas-me para te ouvir dizer o meu nome
Com a tua voz suave e doce.
Faltavas-me para que o reflexo da lua no mar
Fosse o espelho da lascívia que libertávamos.
Acordei! Faltavas-me para fazeres destas palavras
A realidade dos sonhos.
Faltavas para me completares.
Naquela noite…
Faltavas-me tu!


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