Paraíso

Disseram-me que o paraíso não existe. Mentiram-me!
Dormi com ele uma noite inteira.
Tem o teu nome. Os traços do teu rosto e a doçura do teu olhar.
Nele depositei o desejo de te devorar até te desfazeres
Em gemidos delatores de prazer. O nosso prazer.
Aquele que encaixa na perfeição. Aquele que abre caminho
Para que as tuas mãos se percam no meu corpo e fintem as minhas curvas;
A boca pelo meu pescoço, contorcendo-me em arrepios de deleite…
Um desejo que se ergue à medida que os teus
Lábios carimbam a minha pele de beijos suaves,
Percorrem cada um dos meus recantos até sentir
O espasmo de prazer que toma conta dos nossos corpos.
Um desejo que se espelha ao olhar nos teus olhos
Quando, lentamente e contrariando toda a fúria que nos envolve,
Me penetras, apertas-me as mãos, entrelaçando-nos ainda mais (como se fosse possível)
E eu deixo-me levar pela música dos sons que juntos vamos compondo.
No paraíso, dizem, realizam-se desejos;
E porque tu és o meu paraíso, pergunto:
Concedes-me o desejo de mergulhar na tua boca,
Navegar no mel a que sabe a tua saliva,
Misturar as nossas línguas, os nossos sabores,
Gemer no teu ouvido, sentir os teus movimentos suaves -
Que ora aumentam num ritmo crescente de volúpia -
Envolvendo os nossos corpos suados, bocas secas…olhar brilhante?


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