Sentidos

Senti-te ou sonhei?
Ouvi o som das emoções.
Escutei o teu desejo… À medida
Que me desnudavas, compúnhamos
O verbo que nos cobre.
Vi a sede com que me devoravas,
Respirei o cheiro com que perfumavas a minha pele.
Saboreei a sofreguidão com que me amavas.
Toquei no teu sexo sequioso do meu;
Degustei-o e deixei-me embalar
No sonho de te ter dentro de mim!


1 Response to “Sentidos”

  1. 1 Ricardo

    Acordo sem o contorno do teu rosto na
    minha almofada, sem o teu peito liso e claro
    como um dia de vento, e começo a erguer a
    madrugada apenas com as duas mãos que
    me deixaste, hesitante nos gestos, porque os
    meus olhos partiram nos teus.

    E é assim que a noite chega, e dentro dela
    te procuro, encostado ao teu nome, pelas
    ruas álgidas onde tu não passas, a solidão
    aberta nos dedos como um cravo.

    Meu amor, amor duma breve madrugada
    de bandeiras, arranco a tua boca da minha e
    desfolho-a lentamente, até que outra boca -
    e sempre a tua boca - comece de novo a nascer na minha boca.

    Que posso eu fazer senão escutar o coração inseguro dos
    pássaros, encostar a face ao rosto lunar dos bêbados e
    perguntar o que aconteceu.

    É de uma selecção minha…espero que gostes. É de Eugénio de Andrade. Talvez um dia te mostre os meus.

    Gosto da leveza e despudor com que descreves a paixão e o desejo. É tão sentido e visceral que se torna inocente.
    Gostei muito, adorava sentir-me assim leve outra vez…Hei-de chegar lá!!!

    Bjinhos grandes

Leave a Reply